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A melhor de todos os tempos era brasileira

01:30 | 12/06/2018


Foram 589 títulos. Em simples, duplas e duplas mistas. Um feito que nenhuma outra no mundo conquistou na história do tênis. Maria Esther Bueno foi a melhor na modalidade. Sulamericana, e em um País que ainda hoje não respira tênis, ela foi lá, ainda nos anos 1950, e se tornou referência para o mundo. 


As tenistas mais famosas da atualidade, como Serena Williams e Maria Sharapova, não chegam aos pés da brasileira quanto ao número de títulos. A americana possui 95, enquanto a russa detém 39. Maria Bueno, como é conhecida mundialmente, foi grande, e, ao mesmo tempo, injustiçada em seu próprio País.
 

Ela fez sucesso internacionalmente quando o tênis ainda era tratado como amador. As premiações eram simbólicas e os meios de comunicação ainda não chegavam ao público da forma ágil como hoje. Na época nem existia ranking oficial.
 

Maria não era talentosa apenas nos torneios de simples, quando conquistou aos 19 anos o mais tradicional do mundo: Wimbledon. Título que venceu ainda por mais duas outras oportunidades. No Brasil, em pleno 2018, ainda não se tem praticamente quadras de grama. Bueno venceu o principal torneio do mundo sem treinar nesse tipo de superfície.
 

Em 1960, ela chegou a vencer os quatro Grand Slams, Australia Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open nas duplas (com parceiros diferentes). Um feito raríssimo ainda nos dias de hoje. Em 1964 venceu a final do Slam americano com apenas 19 minutos. A brasileira está no livro dos recordes pelo feito.
 

No Brasil, terra de futebol, Bueno nunca teve o reconhecimento que mereceu. Lembra-se de Gustavo Kuerten, que também foi importante, mas tem números modestos se comparados com os de Maria. Logo no anúncio da sua morte, o mundo do tênis se solidarizou com a perda. Todos os torneios de GS, assim como o site da Women Tennis Association (WTA) e da International Tennis Federation (ITF) destacaram os feitos da brasileira que tem resultados esportivos jamais alcançados por nenhum outro brasileiro em nenhuma outra modalidade.
 

Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente, na cobertura do Rio Open, em 2016. Chegamos a fazer uma foto. Pena que perdi no celular no mesmo dia do evento. Fica na memória a lembrança de uma lenda.

 

Wagner Mendes
wagnermendes@opovo.com.br
Jornalista do O POVO

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