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Transposição sem compromisso

01:30 | 14/05/2018

Leônidas Cristino

dep.leonidascristino@camara.leg.br

Deputado federal (PDT/CE)


A execução do trecho que falta para concluir as obras do Eixo Norte da transposição do rio São Francisco, necessária para a água chegar ao Ceará, tem sido conduzida pelo governo Temer de modo trôpego, irresponsável e sem compromisso com o Nordeste. É um festival de desprezo o que acontece com essa obra.


Essa é a realidade depois de seis anos de seca e uma estação de chuvas até agora insuficiente para repor os estoques dos reservatórios de grandes cidades. É muito grave.


Não foi por falta de aviso que a situação marchou para o estado de caos em que se encontra. Em artigos publicados no O POVO e na tribuna da Câmara eu tenho alertado, insistentemente, sobre o tratamento negligente e vacilante do Governo Federal em relação a esse assunto estratégico e de alta prioridade.


Uma breve consulta nos anais da Câmara revela essa nossa luta obstinada pela retomada das obras do canal Eixo Norte e a conclusão da transposição do Rio São Francisco.


Apesar de todas as advertências e contribuições, o Ministério da Integração Nacional desprezou as sugestões para agilizar as obras, todas com o respaldo jurídico, e optou pelo caminho menos sensato; e o pior resultado não tardou a se apresentar, atrasando ainda mais a sua conclusão.


Recentemente, no 8º Fórum Mundial da Água e em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado, o então ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, assegurou que a obra do Eixo Norte seria concluída ainda neste semestre.


Agora, em mais um atraso, o Ministério da Integração anunciou a substituição da empresa contratada até o próximo mês e garantiu a entrega das obras do Eixo Norte neste ano. Como acreditar em mais um juramento ante uma sequência vergonhosa de tantas promessas vãs por parte de um governo sem credibilidade?


Esse é o retrato da situação em que o Brasil se encontra, com um governo de costas para o povo. Essa é a imagem de um período de traição aos interesses populares, de ameaças à soberania nacional. A que ponto chegamos, à negação aos direitos fundamentais da pessoa humana, a negação do direito à água.

GABRIELLE ZARANZA

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