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Editorial. Miséria: Ceará reage

01:30 | 24/05/2018

O Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), acaba de fazer um comparativo utilizando dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (Pnad), publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e descobriu que o Ceará está entre os cinco estados da Federação que apresentaram um mínimo de redução de pobreza absoluta entre 2016 e 2017. Algo como de 3,57%, no número a menos de pobres absolutos, ou seja, 24.887 pessoas. Nestes tempos de reconhecidas dificuldades para as camadas mais próximas da base da pirâmide social catar alguma notícia mais animadora é uma oportunidade que nenhum governo desperdiça, e não se deve criticar o governo cearense por isso. É legítimo para seu marketing. Pobre absoluto é aquele que apresenta um rendimento domiciliar por pessoa menor ou igual a R$ 85,00. 

Os três estados brasileiros em que ocorreram esses números positivos localizam-se na região Norte: Rondônia, Amapá e Tocantins. O Ceará é o único do Nordeste a pontear positivamente. Há um outro estado, Santa Catarina, que ficou com a quarta colocação, e fica no Sul.
 

A dura verdade, porém, é que no cômputo geral, a pobreza absoluta aumentou no País, de 6,5% para 7,2% no período levantado. Com exceção dos cinco estados referidos, a Paraíba e Mato Grosso, com taxa estagnadas, nos demais houve aumento no número de pobres. Os maiores foram no Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Paraná.
 

Nada indica que essa tendência decaia, pois, a contração da atividade econômica incide penosamente sobre os índices sociais. Todas as regiões exibiram indicadores piores de pobreza. O Nordeste concentrava 55% da população extremamente pobre. No ano passado, eram 8,1 milhões de pessoas na região com renda per capita abaixo de R$ 136, boa parte concentrada na Bahia e em Pernambuco. É um contingente 10,8% maior do que o registrado no ano anterior, ou 800 mil pessoas a mais. A miséria também cresceu na região mais rica do País, o Sudeste. De acordo com o levantamento da LCA Consultores, a região tinha 3,27 milhões de pessoas extremamente pobres no ano passado, 13,8% a mais do que no ano anterior. 

 

Houve piora nas quatro unidades da federação que compõem o Sudeste, mas com maior intensidade no Rio e São Paulo, e menor intensidade em no Rio e São Paulo, e menor intensidade em Minas Gerais e Espírito Santo.

Enquanto não se consertar a economia, é dever constitucional e imperativo moral do poder central reforçar o Bolsa Família e outros programas de seguridade alimentar para impedir que as pessoas afundem na fome e no desamparo.

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