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Editorial. Ceará: queda de homicídios é bom sinal

01:30 | 14/05/2018

Num cenário desalentador, é de se saudar qualquer melhora nos índices de homicídios no Estado. O último mês de abril no Ceará contou com redução de 2,6% no número de assassinatos. Foram dez casos a menos do que no mesmo mês de 2017, com 378. Mesmo assim, é fato preocupante que, neste ano, 12 pessoas tenham sido mortas por dia em abril. É quase como se tivéssemos uma chacina das Cajazeiras a cada intervalo de 24 horas.


Há um aspecto importante nessa queda, porém. Ela interrompe um ciclo de 13 meses seguidos de crescimento nos dados de homicídios, com alta histórica em outubro do ano passado. Pode ser o começo de um processo lento mas sólido de reversão dessas estatísticas. É pelo que todos os cearenses torcem.


Mais que esperar pelos próximos meses, entretanto, convém observar atentamente que estratégias o Governo do Estado e as prefeituras adotaram no combate à criminalidade, de modo a chegar a resultado que, se ainda não é o desejado, pode apontar para uma mudança bem-vinda no quadro geral. Que ações deram certo? Que áreas continuam a representar desafio para os gestores? Mapeados esses gargalos, é preciso concentrar esforços e insistir em medidas que efetivamente signifiquem a superação dessa guerra urbana e a recuperação do tecido social.


Em Fortaleza, por exemplo, houve decréscimo de 14,9% nos assassinatos em relação a igual período do ano passado – foram 120 agora contra 141 em período semelhante de 2017. São dois meses de queda em sequência. Disso certamente é possível extrair um lastro que sirva de bússola para a elaboração de políticas contra a violência.


A despeito da boa notícia, infelizmente, o acumulado de janeiro a abril é ruim para o Estado: houve crescimento de 20,1% no índice de homicídios. Ou seja, há muito trabalho pela frente.


A cinco meses das eleições, não custa alertar para o que deveria ser o óbvio: qualquer melhora nesses índices jamais pode envolver cálculo político, sobretudo com vistas ao pleito. O resultado positivo tem de assentar-se num combate sistemático à barbárie dos números do ano passado, quando, justamente no mês de outubro, o Ceará amargou um recorde: 516 assassinatos.


Num momento em que candidatos alinhados a certa ideologia militarista despontam como alternativa e as soluções mais fáceis surgem como brilhareco em discursos populistas para encantar o eleitorado, é importante lembrar que as políticas de redução de mortes não comportam solução milagrosa. São sempre consequência de empenho continuado e dedicação conjunta entre as esferas de governo. Qualquer resposta que não tenha isso em conta soará como oportunista.

 

GABRIELLE ZARANZA

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