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Editorial. A cinco meses das urnas

01:30 | 11/05/2018

Contados de hoje, serão agora 149 dias pela frente até a votação de 7 de outubro, data do primeiro turno das Eleições 2018. Arredondando a contagem, cinco meses de expectativa, incertezas, acirramentos, movimentações intensas - as públicas e, principalmente, as de bastidores. 

A disputa nacional puxou os debates até então. Agora, na ambiência local, as pré-candidaturas no Ceará já se põem ao teste das ruas. Passaram a se expor, tentar aparições que possam render apoios, além de apenas a agenda de encontros reservados nos gabinetes. O eleitor começa a (re)conhecer quais serão os concorrentes ao Palácio da Abolição.
 

O governador Camilo Santana (PT), que disputa a reeleição, parece ter a certeza de dois de seus adversários: o general da reserva Guilherme Teophilo (PSDB), novato em disputas, e o bancário Ailton Lopes (Psol), experiente de outras urnas. A trinca, até o momento, é a mais significativa que se apresenta para tentar o governo estadual.
 

O governador tem um hub aéreo e bons números na educação a seu favor, mas dados da segurança pública são um severo contraponto. O general banca o discurso da oposição, de discordância da condução administrativa atual, mas se mostra desembarcando de paraquedas no meio da fauna política de tantas matizes e pelagens. E o bancário reforça sua fala pela luta de classes e por garantia de direitos individuais, mas sem experiências administrativas vindas de seu partido.
 

Além de possíveis virtudes, Camilo, Teophilo e Ailton, cada um terá um senão e algo mais a comprovar ou esclarecer. Na corrida de bastidor, as composições partidárias tentam acertar possíveis vices que agreguem algum valor às chapas majoritárias. E também definir candidatos ao parlamento que puxem votos.

Daqui a cinco meses escolheremos presidente da República, governador, dois senadores, 22 deputados federais e 46 estaduais. Pelo cenário atual, deveremos ir a um segundo turno. Por enquanto, as pesquisas confirmam isso em nível nacional. Por enquanto, não há consulta simulada em nível estadual.
Oficialmente, há R$ 2,5 bilhões para serem gastos pelos partidos políticos. 

 

Será a primeira disputa com fundo público para financiamento de campanhas, que repassará R$ 1,7 bilhão. As legendas terão mais R$ 888 milhões, liberados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), oriundos de dotação da União.
 

Serão dias agitados, estes até outubro. Dois anos atrás, quando Michel Temer assumiu a presidência no afastamento de Dilma Rousseff, já se imaginava que estas eleições de 2018 seriam assim. De extremismos, desconfianças e um pleito em que tudo do nacional interfere no local e vice-versa. Agora os candidatos vão gastar sola de sapato e saber do que precisarão mudar. Como candidatos e como gestores.

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