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Editorial. Uma política de estado para educação

01:30 | 21/05/2018

O contraditório cenário da educação nacional, exposto nos números da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad) de 2017 e muito bem ressaltado editorialmente pelo O POVO no último sábado, escancara o tamanho do desafio que representa trazer os indicadores do setor a níveis civilizados e aceitáveis no Brasil. É um estudo oficial qualificado, profundo, e que exige uma análise capaz de compreendê-lo em todos os aspectos, positivos e negativos, bons e ruins.
 

É verdade que temos melhorado e a Pnad tira esta percepção do campo intuitivo e a transforma em algo concreto. Aponta-se uma queda nacional no número de analfabetos em relação ao ano anterior, de 0,2%, percentual que no Ceará cresceu em índices superiores, chegando a 6,6%. Portanto, falamos de um quadro que se movimenta de maneira favorável, mas, que precisa de um ritmo de maior aceleração para que se consiga superar o problema da baixa alfabetização no prazo mais curto possível, uma necessidade do País.
 

Seria um gesto de pouca sensibilidade comemorar acriticamente os avanços, por verdadeiros e expressivos que eles sejam, diante de uma realidade que ainda apresenta um estoque de 11,5 milhões de pessoas analfabetas, um milhão delas aqui no Ceará. Este número, por ele próprio, impõe uma reflexão que indique a necessidade de um esforço geral, que não pode ser apenas dos governos e dos governantes, no sentido de apressar uma reversão do quadro e, mais importante, eliminar qualquer chance de retrocessos. É momento de se discutir uma política de Estado para educação, cujas ações estejam claramente definidas e sejam mantidas ao largo das prioridades de ocasião.
 

Como já dito, não é o caso de desconsiderar o que de bom se tem obtido, seria um erro. Os êxitos que o Ceará acumula em suas políticas voltadas para as séries fundamentais exigem mesmo alguma paciência para serem absorvidos, já que seus maiores efeitos costumam aparecer apenas no médio ou longo prazo, significando que ajudam na melhoria geral do quadro muito mais numa perspectiva de futuro. É relevante, por exemplo, perceber que cerca de 87% dos que não sabem ler nem escrever no nosso estado situam-se em faixa etária superior aos 40 anos, indicando que efetivamente há um alicerce em construção que dará muito maior segurança em relação às gerações futuras. Porém, reafirmamos, a classe política precisa construir um consenso mínimo para manter o tema distante das refregas eleitorais prestes a começar.

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