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Dia das Mães, uma questão antropológica

01:30 | 14/05/2018

Adriana Oliveira Lima

eadri.o.l@hotmail.com

Educadora e escritora


Vivemos um turbilhão de questões sobre a cultura e as demandas da modernidade. Em maio, enfrentamos reivindicações para a transformação do Dia das Mães em Dia da Família. A diversidade de grupamentos que formam o conceito de família na modernidade é o argumento central desse grupo, que esquece que a diversidade não tem relação com a constituição antropológica dos papeis sociais desempenhados em uma família.


O Dia das Mães é uma celebração histórica. Os gregos prestavam homenagens à deusa Réia, mãe dos deuses, oferecendo presentes. Em Roma suas festividades duravam três dias. A Inglaterra do século XVII comemorava o “Domingo das Mães”. No Brasil, o Dia das Mães foi oficializado em 1932 por meio de um decreto de Getúlio Vargas.


Essa é uma questão antropológica que diz mais respeito aos papeis sociais desempenhados do que uma questão sociológica de composição familiar. Seja qual for a composição familiar, um filho precisa, para se inserir na comunidade, dos papeis antropológicos da disciplina por um lado e dos aspectos de ajuste afetivos (amorosidade, solidariedade, etc.) pelo outro. A composição familiar, seja ela qual for, deverá desempenhar estes papéis para desenvolver filhos saudáveis.


As famílias devem ajustar a demanda das comemorações ao desempenho dos papeis sociais de cada componente familiar, ou mesmo participar coletivamente dos eventos, como duas mães, dois pais etc. Efetivamente alguém deve desempenhar um ou outro papel social.


As famílias em suas composições diversas não devem se sentir constrangidas em participar dos eventos sociais com os papeis que escolheram desempenhar socialmente.


A ausência real de um “pai” ou “mãe” formal não retira a existência efetiva de alguém que está desempenhando esses papéis na vida da criança e do jovem. No caso da ausência total é provável a constituição de desajustes psíquicos.


Não podemos, de qualquer forma, destruir um evento social tão importante na historia humana em função das composições familiares modernas.

 

GABRIELLE ZARANZA

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