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Como nasce um candidato

01:30 | 04/05/2018

À paisana, é bem possível que Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira passe despercebido. Pomposo, o nome é, ainda, desconhecido do cearense médio. Ainda. É que o general da reserva, até março último comandante de logística do Exército, acaba de filiar-se ao PSDB do senador Tasso Jereissati e, embora neófito na política, é dado como candidato certo nas próximas eleições. Segundo consta, é a peça que faltava para as oposições enfrentarem o petista Camilo Santana nas urnas.


Em menos de um mês como “político”, apesar dos mais de 45 anos dedicados às forças armadas, o general Theophilo vem conquistando um espaço na imprensa de fazer inveja aos veteranos nos palanques. Pouco a pouco, o perfil antes reservado cede às pressões da vida pública. Por enquanto, a estratégia tem sido reforçar seu currículo, de fato, impecável, e demonstrar sua competência para tratar do nosso maior trauma, a segurança pública, sem esquecer de fortalecer seus vínculos com o Ceará.
 

É que o general Theophilo, para seu azar, como ele mesmo reconhece, é um cearense nascido no Rio de Janeiro. Dos males, o menor. Num cenário de oposição capenga, com o próprio PSDB ocupando uma das mais importantes secretarias da gestão Camilo Santana, o general condensa boa parte dos sonhos dos rivais do governador. Além de ser nome novo, fora da política tradicional, pode ser apresentado como um competente especialista em segurança, plataforma recorrente nos nossos processos eleitorais. Ele tem sido apresentado, por exemplo, como um dos responsáveis pelo planejamento da intervenção federal no Rio de Janeiro.
 

A verdade, porém, é que um candidato não se faz apenas de biografia eloquente e uma brilhante trajetória profissional. O general Theophilo é um nome estratégico para o mundo da política porque representa a possibilidade de um palanque mais competitivo, fundamental para quem está de olho nos parlamentos, sobretudo para quem não quer ficar sem mandato. Além disso, caso perca, sua condição de estreante ajuda a amenizar traumas e favorecer recomposições. Pelo sim, pelo não, é bom ficar atento no que pensa e propõe o agora candidato.

 

Magela Lima
lima.magela@gmail.com
Jornalista e professor do Centro Universitário 7 de setembro

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