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A sociedade presa

01:30 | 11/05/2018

Segundo o Ministério da Justiça (MJ), o número de presos dobrou de 2000 a 2009 e cresceu de 233 mil para 622 mil em 14 anos (2000-2014), a maioria por crimes contra o patrimônio (46%) e por tráfico de drogas (28%). Em 2012, a Defensoria Pública do Pará, concluiu sobre a população carcerária no Brasil: “A maioria apresenta um baixo grau de escolaridade, não chegando ao ensino médio”.  

Galbraint, na obra A sociedade justa, ressalta: “(…) a educação tem uma relação vital com a paz social e a tranquilidade; é a educação que propicia a esperança e a realidade da fuga dos estratos sociais e econômicos (…)”. Em 2013, a jornalista Rita Azevedo publica na Exame matéria com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e conclui: “cerca de 23 mil jovens cumpriam penas com restrição à liberdade no País” e que dados de 2003 do Ministério da Justiça mostram: “(...) 60% dos menores infratores eram negros. Metade deles não frequentava escola nem trabalhava quando cometeu o delito e 66% deles eram de famílias consideradas extremamente pobres”.
 

Para Karl Marx, século XIX, as diferentes classes sociais não se resumem apenas às diferenças de riquezas quantitativas, mas por valores de comportamentos, regras sociais e interesses. Em pleno século XXI, aglomerações urbanas pobres são subjugadas a violentos poderes paralelos confrontando o Estado Institucional.
 

A política carcerária e os altos gastos em segurança pública não resolveram a  questão da violência. É preciso ver por novos ângulos e identificar a relação entre baixa escolaridade, ambiente de pobreza extrema e a probabilidade de se envolver em crimes que findam em prisão ou morte violenta.
 

Inovar para reduzir desigualdades, buscar políticas públicas eficazes de resgate dos valores de família, educação, cultura, dignidade, cidadania e de paz social. Em “Inovação no setor público” (Ipea 2017): “inovar não é positivo em si, mas que os efeitos da inovação, sim, podem contribuir significativamente para a geração de valor no setor público, tornando possível enfrentar os variados e complexos desafios impostos ao setor público na atualidade”.

 

Sidney dos Santos
Saraiva Leão
sidneyssl@hotmail.com
Mestre em Gestão e Modernização Pública
Doutorando em Administração Pública

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