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Revolução tecnológica: pouco se perde, muito se cria

01:30 | 23/04/2018

Sergio Aquino de Souza

srgdesouz@gmail.com

Professor Associado do Caen-DTE/UFC e ex-Economista Chefe do Cade


Uma onda alarmista sobre desemprego em massa, devido à substituição de pessoas por máquinas ou algoritmos, tem dominado noticiário. Neste contexto, é importante lembrar que a nova revolução, comandada por avanço sem inteligência artificial e pela automação de forma mais geral, traz elevados benefícios: barateamento e acesso amplo a produtos e serviços.


Exemplos notórios são aplicações em saúde, transporte, educação e comércio eletrônico. Mas quem vai comprar se não haverá emprego e renda? Trata-se de receio antigo, identificado de forma mais marcante durante revolução industrial, quando máquinas substituíram artesãos. A história tem nos mostrado, porém, que tal preocupação é exagerada.


De fato, a sociedade se saiu melhor de todas as revoluções tecnológicas, com manutenção dos níveis agregados de emprego, maiores salários e redução drástica da pobreza. É improvável que o resultado seja diferente desta vez.


Isso se deve em grande parte ao efeito produtividade: a automação reduz significativamente custo de ofertar produtos ou serviços, reduzindo preços e criando um excedente de renda que flui para outros setores não automatizados, aumentando assim oferta de empregos nestes setores.


Surgem ainda novas oportunidades nos próprios setores automatizados (por exemplo motoristas de Uber e engenheiros de software).


O resultado final de toda revolução tecnológica é a destruição de atividades laborais em alguns setores e criação delas em outros, tanto para profissionais de alta como de baixa qualificação, com efeitos de longo prazo positivos para toda a sociedade.


No curto prazo, há perdedores durante ajuste deste processo, como ocorreu com os artesãos. É possível aplicar políticas públicas para suavizar efeitos sobre este grupo em especial.


No entanto, merece atenção redobrada o combate a propostas equivocadas (e em geral populistas), que podem reduzir significativamente velocidade de processo virtuoso no longo prazo.

 

GABRIELLE ZARANZA

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