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Pós 7 a 1, futebol brasileiro segue o mesmo

01:30 | 23/04/2018

Fernando Graziani

fernando graziani@opovo.com.br

Jornalista do O POVO


Muito mais espantoso do que os inesquecíveis 7 a 1 que a Alemanha impôs ao Brasil na Copa de 2014 foi observar a crença geral de que uma grande mudança estrutural no futebol nacional ocorreria. Ledo e previsível engano. Apenas duas semanas após a derrota no Mineirão naquele 8 de julho a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmava as contratações do técnico Dunga e do coordenador Gilmar Rinaldi, mas o perfil desprovido de competência não deu qualquer resultado positivo. Com vexames observados na disputa da Copa América e nas Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia, foram demitidos em 2016.


A essa altura, José Maria Marin, presidente da CBF desde 2012, já estava preso nos Estados Unidos, acusado de lavagem de dinheiro, fraude financeira e formação de organização criminosa (hoje está condenado). Marco Polo Del Nero, que assumiu seu lugar, seria afastado pela Fifa meses depois para investigações. Ainda que suspenso, segue comandando o futebol nos bastidores.


Com apoio irrestrito de 64 das 67 entidades votantes na CBF (27 federações e 40 clubes), Marco Polo Del Nero elegeu seu candidato, Rogério Caboclo, para o mandato 2019-2022. O continuísmo é a ordem principal, que privilegia poucos. O atual presidente da Confederação é o Coronel Nunes, que pouco entende de futebol, serviu à ditadura militar de 1964 e ali está como decoração. Atitudes relevantes para melhorar o calendário ou as condições técnicas das competições e dos atletas foram ignoradas.


O único acerto neste tempo foi a escolha profissional de Tite em 2016, que ocorreu em função da pressão popular. Moderno, estudioso e com grande capacidade de liderança, o técnico faz trabalho excelente. Omisso em relação aos problemas estruturais e distante de criar polêmica com quem o paga, o treinador opta por concentrar sua energia no planejamento da seleção brasileira, cercado de gente competente. Se o título da Copa do Mundo de 2018 ocorrer, o mérito será dele e de sua equipe, nada mais.

 

GABRIELLE ZARANZA

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