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Proteção ao Baixo Jaguaribe

01:30 | 07/03/2018

Uma crise hídrica, enchentes ou secas, nunca é algo agradável, mas é uma oportunidade para se fazer dela uma análise desapaixonada e tirar importantes conclusões. Será, por exemplo, que foi correta a decisão, no final do inverno de 2009 (8,0 bilhões de m³ de deflúvios na seção do Açude Castanhão) de manter fechadas as 12 comportas daquele reservatório até a sua capacidade máxima maximorum de acumulação, de 6,7 bilhões de m³? Advirto que, do ponto de vista hidrológico, para efeito de regularização (que gera benefícios), a capacidade de acumulação efetiva deste açude é de apenas 4,4 bilhões de m³ e não 6,7 bilhões de m³.
 

De acordo com o projeto desse reservatório, há um “volume de espera” de 2,3 bilhões de m³ reservado para “controlar ou amortecer” as enchentes no Baixo Jaguaribe. Este “volume de espera” deve estar sempre, que possível, vazio. Portanto, foi um erro manter as comportas do Castanhão fechadas, pois, assim, o “volume de espera” deixou de existir, embora tenha havido um “ganho” no volume útil daquele açude “que vem sendo responsável pelo atual abastecimento de água da Região Metropolitana de Fortaleza”, segundo os seus gestores.
 

E se, naquela ocasião, tivesse havido uma chuva, momentânea, de 100 ou 120 milímetros em sua bacia hidrográfica, sem que aquele reservatório não mais dispusesse do seu “volume de espera”? Sem dúvida, teria havido o rompimento dos diques (de terra) que fazem parte do corpo da barragem e um desastre de proporções inimagináveis teria se abatido sobre o Baixo Jaguaribe. Esta foi, no nosso entendimento, a grande lição da gestão do Açude Castanhão em épocas de enchentes. Imagine o leitor se, em 2009, tivéssemos tido chuvas excepcionais como as de 1974 e 1985, cujos deflúvios na seção do Castanhão foram de 17,7 e 19,9
bilhões de m³ ?
 

Caso semelhante já ocorreu aqui no Ceará, em 1995, quando do rompimento do dique fusível do Açude Gavião nas mesmas condições e objetivos, o que ocasionou o desabrigo de duas mil pessoas às margens do Rio Cocó e o colapso do abastecimento de água de Fortaleza por 15 a 20 dias.

 

Cássio Borges
borgescassio@hotmail.com
Engenheiro Civil

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