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Editorial - Gênio e superação

01:30 | 15/03/2018

O mundo acaba de perder uma das inteligências mais brilhantes da contemporaneidade: o astrofísico britânico Stephen Hawking, falecido nesta quarta-feira. Ele não apenas foi um gigante da ciência física, mas um exemplo de superação humana, pois, embora consumido por uma doença degenerativa implacável, que reduziu seu corpo a condições extremas de disfuncionalidade anatômica, isso não impediu o brilho de uma mente fulgurante e extremamente imaginativa, como a sua, que não cessou, até a morte, de contribuir para levantar o véu da realidade abissal da matéria e do espaço-tempo.


Hawking era considerado um dos cientistas mais influentes do mundo, tanto por suas decisivas contribuições para o progresso da ciência, como por popularizá-la, e também pela coragem e determinação de não se deixar reduzir à impotência frente a uma doença degenerativa e implacável que o confinou a uma cadeira de rodas e o deixou praticamente sem cordas vocais. Sua voz produzida por um sintetizador eletrônico foi uma das mais requisitadas no mundo da ciência.


A teoria do Big Bang, segundo a qual o universo surgiu no bojo de uma grande explosão de luz, 13,8 bilhões de anos atrás (a partir de um pequeno ponto, menor que um átomo, que continha uma densidade e uma energia inimagináveis capazes de fazer brotar dele tudo o que existe hoje) foi sua constante matéria de estudo.

 

Se tudo começou aí, o que havia antes? Tentar explicar isso não o esmoreceu, e sua mente pôs-se a buscar a resposta. Seria um nada, no sentido de que o que veio depois não tinha relação com o que existia antes. Mas, não que não houvesse matéria: o que existia antes não pode estar contemplado em qualquer teoria que formulemos para explicar nossas observações atuais, isto é, nenhuma lei da física se aplicaria até a ocorrência do Big Bang.

 

O universo teria evoluído de maneira independente ao que havia antes. Até a quantidade de matéria no universo pode ser diferente do que havia antes da explosão, porque a Lei de Conservação da Matéria não se aplicaria ao Big Bang. Antes deste as atuais leis da física não se aplicariam. Diz Hawking: “a condição do limite do universo… é que ele não tem uma fronteira”. Em outras palavras, Hawking entende que não existe tempo antes do início do tempo, já que o tempo sempre esteve lá. Essa declaração se baseia em uma teoria chamada “proposta sem limites”. Seja como for, a simples formulação de uma questão como essa já cria os prolegômenos para respondê-la, diria um filósofo da práxis. Hawking atirou-se a isso de corpo e alma. A Humanidade só tem a agradecê-lo por isso.

GABRIELLE ZARANZA

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