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Até quando?

01:30 | 19/03/2018

“Violência não é um sinal de força, ela é um sinal de fraqueza e desespero”, essa magnífica frase do líder tibetano Dalai Lama sintetiza os sentimentos que habitam naqueles que recorrem a tal expediente como forma de fazer valer a sua vontade. Ao longo da história da humanidade, nos deparamos com diversos exemplos de mulheres e homens que através de posicionamentos arrojados em defesa de seus ideais, sofreram com a violência dos que não aceitaram ter suas verdades questionadas.


Martin Luther King Jr, Chico Mendes, Dorothy Stang, Dian Fossey, Mahatma Gandhi e tantos outros valentes humanistas tombaram sem vida diante daqueles que erroneamente acreditaram que a interrupção biológica de suas existências seria suficiente para frear os movimentos por eles capitaneados, ledo engano. A história nos demonstra que diante do martírio sofrido o efeito foi diametralmente o oposto dos pretendidos pelos infames algozes, tendo as ideias de tais mártires sido potencialmente difundidas após o falecimento dos mesmos.


Constitui ato de grandiosa coragem abandonar as comodidades de uma vida sem conflitos em prol da defesa de causas que incomodarão o establishment, fazer essa opção muitas vezes mortal é sinal de enorme desprendimento e altruísmo, qualidades cada vez mais raras de encontrarmos nos homens médios, que muitas vezes preferem ignorar as questões em nome da manutenção do status quo, em que se encontram.


Marielle Franco não estará mais presente no seio da sociedade, sua ausência material será por todos nós sentida, seu brado não mais ecoará nos salões da política, seus queridos foram privados abruptamente de sua companhia, mas felizmente os homens ainda não conceberam projéteis capazes de alvejar o espírito, as ideias, os legados. Esses continuarão, muito mais fortalecidos do que antes.


Cabe um pouco a cada um de nós darmos continuidade à luta da brava Marielle, devemos buscar conhecer sua história, suas lutas e os motivos pelos quais uma mulher tão franzina causou incômodo e medo em homens tão poderosos. Todos nós somos os responsáveis por não permitir que o legado dela desapareça, pois se seus ideais estiverem presentes em nossas mentes, ao contrário do que os homens maus acreditaram quando a feriram, ela viverá.

 

Rafael Castelo Branco

rafaelncb@hotmail.com

Membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-CE

 

GABRIELLE ZARANZA

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