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Há muito que o problema de segurança no Rio é federal

01:30 | 26/02/2018

O “Temos o inarredável dever de sair da inércia, do marasmo, do conformismo. Não nos é dado o direito de rendição”, já dizia em 2008 o Ministro Ayres Brito, então presidente do TSE, a propósito do crime organizado no Rio. Mas há quase meio século que a cidade vem sendo refém desse poder paralelo e brutal, que desafia até a União, como admitiu Temer ao falar em “metástase” a partir do tumor-mor, no Rio.


“Policiais são mortos como galinhas”, diz Pezão. Ora, armas de guerra são utilizadas pelo tráfico, como fuzis de última geração capazes de derrubar aviões, enquanto policiais, quando muito, respondem com armas obsoletas e sucateadas, fruto de governos lenientes e corruptos em tempos de assombroso armamento dos morros cariocas. É uma guerra desigual e velha.
 

Terrificante a chuva de balas perdidas, a ferir a alma da cidade quando atingem crianças e até feto no útero! Somos uma “república de bananas”? Não? Então demorou a intervenção federal.
 

Insistir que o problema é estrutural; que não há preparo das Forças Armadas que a legislação precisa ser adaptada etc. serve apenas para prolongar essa já insuportável inércia de um governo constituído no combate a um governo paralelo e letal. Os paradigmas hoje são outros. O emprego já das Forças Armadas no Rio eu propus em 2008, quando aluno da Escola Superior de Guerra, dada a flagrante cooptação e inaptidão da força policial do Estado.
 

Entrevistei generais, o Sr. Beltrame e um líder comunitário de morro, e vi que não haveria banho de sangue se tomassem o Morro do Alemão (então inexpugnável) com o apoio das Forças Armadas. Não levaram a sério, mas ocorreu exatamente o que previra, e, em 2010, foram hasteadas no topo do Alemão as bandeiras do Estado e do Brasil, sem sangue. Neste 07.02, ante o que se via no Rio, escrevi a colegas da ESG que só havia uma solução: intervenção federal com interventor militar. Nove dias depois aconteceu.
Ajustes virão depois, com a própria jornada. Omissão agora é lesar a pátria. 

 

Povos tornados reféns pelo Estado Islâmico priorizaram o banimento desse seu monstruoso algoz, o fazendo em situação bem mais adversa. Mutatis mutandis, é o que se tenta fazer no Rio de Janeiro.

 

Eduardo Gibson Martins
edgibson@terra.com.br
Juiz de Direito especializado em Política Estratégica pela UFRJ 

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