VERSÃO IMPRESSA

Evangelista Torquato

01:30 | 16/02/2018

Preservação da fertilidade do paciente com câncer A capacidade reprodutiva pode ser seriamente afetada por diferentes tipos de câncer, bem como pelas mais diversas modalidades de tratamentos oncológicos. É fundamental preservar a fertilidade de homens e mulheres em idade reprodutiva e de crianças que não atingiram a puberdade. Com o aprimoramento dos tratamentos oferecidos, houve um aumento considerável da expectativa de vida de pacientes com câncer. A taxa de sobrevivência a neoplasias infanto-juvenis é em torno de 80% e estima-se que cerca de 1 a cada 250 indivíduos da população geral seja sobrevivente dessa doença. No entanto, ao receber o diagnóstico, é comum que pacientes, familiares e oncologistas iniciem uma corrida contra o tempo para começar o tratamento, o que muitas vezes, impedem um adequado suporte à preservação da fertilidade e pode gerar uma grande fonte de sofrimento para os sobreviventes das malignidades. Há estudos que comprovam que a inabilidade de procriar é uma das principais causas de depressão nessa população após o término do tratamento. 

O ideal é que todos sejam encaminhados com brevidade a centros treinados em criopreservação de gametas antes do início da terapia. Para as mulheres, há opções de congelamento de óvulos, embriões ou tecido ovariano. Para a maioria dos homens, a simples coleta de sêmen é suficiente para assegurar o futuro reprodutivo. No entanto, garotos pré-púberes ou que não iniciaram práticas de masturbação e adultos incapazes de ejacular ou cujo sêmen seja desprovido de espermatozoides podem ser submetidos a indução da ejaculação (eletroejaculação) ou mesmo extração cirúrgica de tecido testicular. De uma maneira geral, esses procedimentos são minimamente invasivos e não irão prejudicar em nada o tratamento oncológico ou comprometer os resultados no longo prazo.  

O câncer é uma doença devastadora e de incidência crescente que afeta indivíduos de todas as idades. O combate a essa doença não se limita apenas no controle do tumor em si, mas também em minimizar a toxicidade do tratamento e garantir aos indivíduos uma vida plena e normal no futuro. A capacidade de ter filhos é um dos pilares fundamentais da qualidade de vida. Já existem centros em Fortaleza com toda a infraestrutura para dar o suporte necessário.

 

Eduardo Miranda mirandaedp@gmail.com Andrologista da Clínica  

TAGS