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Editorial. O Congresso, sua agenda de futuro e o nosso voto

01:30 | 26/02/2018

É comum, e natural, que o cidadão expresse sua profunda decepção com a representatividade política dos dias atuais. A realidade ajuda a explicar tal sentimento. Mais ainda, que sinalize uma intenção de anular seu voto em 7 de outubro próximo, especialmente quando chamado às escolhas proporcionais, entre os candidatos às 46 vagas na Assembleia Legislativa e 22 da bancada federal cearense. Natural, mas determinante de uma reflexão quanto aos efeitos possíveis da opção apontada pela não escolha.


Em material publicado na edição de ontem, O POVO mostrou que o próximo Congresso Nacional, que toma posse em 1º de fevereiro de 2019, enfrentará uma agenda de impacto expressivo na vida das pessoas. Reformas profundas devem ser discutidas e votadas pelos futuros parlamentares, o que exigirá qualidade na composição das duas Casas – Câmara e, também, o Senado, que terá dois terços dos seus quadros renovados -, algo que só virá pela manifestação do eleitor através do seu voto. Não há outro caminho, porque, felizmente, fazemos parte de uma democracia.
 

Imaginar que não existam bons nomes disponíveis, espalhados por todas as ideologias e partidos, é decretar a falência da sociedade como espaço formador de material humano. Algo absolutamente incompatível com o que temos de real, já que existe sim gente qualificada e que pode ajudar na elevação do debate público e da representação política em nosso País. É apenas questão de se ter maior atenção com o geral do processo, acompanhar a campanha vestindo-se de um efetivo espírito cidadão, identificar as opções e fazer a melhor escolha, de forma livre, apresentando como exigência única de contrapartida uma postura correta à frente do mandato que eventualmente receber da população.
 

O evento eleitoral de 2018 é de grande importância para o início de reversão do cenário quase paralisante de crise que o País experimenta na sua atividade política. Há, nele, uma chance de abrir uma nova perspectiva, estabelecendo uma relação diferente com o voto, entregando a confiança ao candidato escolhido e, de volta, exigindo que contribua na construção de uma realidade nova, diferente e mais sadia do que esta que hoje temos. O cenário degradado leva à conclusão de que subir de qualidade em relação ao que se tem já nem pode ser considerado um grande desafio, tudo bem, mas a simples hipótese de permanecer nesta situação atual por mais um período basta para assustar a imensa maioria de gente de bem que espera, e merece, um futuro melhor. O voto pode ser (e é) o primeiro passo para mudança

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