VERSÃO IMPRESSA

Editorial. IBGE: desemprego cai; cresce ocupação informal

01:30 | 03/02/2018

Dados divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, no ano de 2017, o número de pessoas que trabalham por conta própria ou sem carteira assinada foi maior em comparação com os empregados formalmente, sob regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Quanto ao índice de desemprego, 2017 encerrou-se com o percentual 11,8%, representando 12,3 milhões de pessoas desocupadas. 


Em números absolutos, o ano terminou com 34,31 milhões de pessoas trabalhando por conta própria ou sem carteira, enquanto os ocupados, em vagas formais, somaram 33,32 milhões. Em 2016, eram 34 milhões de trabalhadores sob o regime da CLT e 32 milhões em vagas sem carteira assinada ou como autônomos.

No trabalho formal o empregado está sob a égide da legislação trabalhista, que lhe garante direitos pecuniários e sociais. Na ocupação informal não há como garantir a totalidade desses benefícios, já que inexiste o vínculo empregatício com empresas. Esse tipo de trabalho torna-se desvantajoso tanto para o trabalhador - que fica privado de direitos garantidos em lei - quanto para o Estado, que perde na arrecadação de tributos, inclusive para a Previdência Social.
 

Ressalte-se que nem todo trabalhador por conta própria é informal. Nessa categoria entram também os microempreendedores individuais (MEIs) e profissionais autônomos, por exemplo. No entanto, a pesquisa do IBGE mostra que os índices apontam para o crescimento da informalidade na economia. Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, disse que, no ano passado, ocorreu uma “desaceleração” do desemprego. Mas afirmou não ter havido “nenhum sinal de recuperação dos serviços com carteira de trabalho assinada”, portanto não houve melhoria na “qualidade do emprego”.
 

Porém, é preciso levar em conta que dados do IBGE mostram o crescimento da produção industrial em 2017, fechando o ano com alta de 2,5%. Além disso, ao longo do ano passado, houve queda contínua do desemprego. Ainda que sejam incipientes, esses dados apontam para uma direção positiva, mostrando que a economia vem reagindo bem, a partir das medidas tomadas pela equipe econômica do governo.
 

Se o crescimento da economia se consolidar, como se espera, mesmo com a  possibilidade de fazer contratações intermitentes, as empresas tendem a contratar mais empregados fixos, aumentando a formalização e fazendo com que melhore a qualidade dos empregos.

TAGS