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E quando você envelhecer?

01:30 | 03/02/2018

Uma pergunta que não nos fazemos no início ou no meio da vida, mas, no espetáculo que a vida é, envelhecer faz parte. Várias reflexões saltam ao pensar na finitude da vida: religiosidade, qualidade de vida, suporte financeiro, família, solidão...


Repararam na quantidade de pessoas solitárias que encontramos nas cidades? Restaurantes, supermercados, shoppings, pulsam esse grupo representativo que vagueia carregando histórias singulares. O mercado, atento a mudança do perfil consumidor, aproveita para lançar produtos individuais nos alimentos, imóveis, pacotes de viagens, sites de relacionamento. O mercado tira proveito de tudo, quase tudo.
 

Teorizar sobre a mudança de comportamento da humanidade requer estudos profundos, antropólogos são mais indicados para responder. Nos cabe a pura constatação da realidade, é fato, lhe convido a tirar o olhar do smartphone, essa experiência irreal de estar conectado aos outros, e passear a vista pelo entorno.
 

Uma amiga compartilhou notícia que grupo de amigos criou residência coletiva nos Estados Unidos para conviver na velhice. Tantos outros países fortes econômica e culturalmente possuem asilos com estrutura favorável para bem envelhecer.
 

O Brasil é um país ingrato com os idosos, a frase é batida, cansativa, mas real. As condições extremas e frágeis da vida possuem tratamentos diferentes. Quando recém-nascido, a família ou a mãe são próximos. Há graça e apoio nos primeiros anos. Na velhice, nem sempre família ou filhos dão o suporte que tantos precisam. Nas cidades que conheço pelo País são frequentes os asilos, em grande parcela, funcionando como depósitos de párias, sobrevivendo seus últimos anos sem a menor dignidade humana, acompanhamento qualificado, médico ou afetivo. Que tal iniciar um novo ciclo de começo de ano, perceber quem mais precisa e está isolado, carente e frágil? Faça uma visita ao asilo de sua cidade e, se bom coração tiver, ofereça suporte, não carece ser financeiro, seja humano.
 

Não são as leis que mudam um país, são as ações humanas e engajadas que constroem pontes para realidades dignas.

 

Sérgio Falcão
falcao@opovo.com.br
Editor-chefe do O POVO.doc
 

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