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Consumidor precisa de mais respeito

01:30 | 05/02/2018

 

As empresas brasileiras de telecomunicação estão desrespeitando menos seus clientes, embora ainda ocupem o topo da lista de reclamações nos órgãos de proteção e defesa do consumidor em diferentes estados. O número de queixas contra essas companhias na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) caiu quase 13% no País em 2017, na comparação com o ano anterior. No Ceará, a retração foi de 21%. Os números são positivos, mas as quedas podem e precisam ser maiores.


As empresas do setor prestam serviços que deixam a desejar, mas cobram caro por isso. Querem oferecer tudo: telefonia, banda larga, TV por assinatura... Pacotes não faltam. Porém, não priorizam a qualidade daquilo que vendem. Buscam lucrar em progressão geométrica e investir em escala aritmética. Uma fórmula que prejudica, principalmente, o consumidor.
 

Quem nunca ligou para uma operadora mais de uma vez, a fim de resolver um problema, e desistiu do atendimento após esperar vários minutos ouvindo aquela musiquinha? Ou, quando foi atendido, teve a ligação transferida para mais de um setor responsável e não obteve a informação desejada? Quanta irresponsabilidade!
 

Ainda bem que os consumidores brasileiros estão mais conscientes de seus direitos e dispostos a denunciar as companhias quando são lesados. Se não gostam do serviço contratado, cancelam a assinatura e partem para outra, mesmo sem a certeza de que a próxima opção será melhor.
 

Quanto aos serviços de telecomunicação no Brasil, vivemos experimentando, trocando, tentando achar a escolha certa, uma boa relação custo-benefício. Mas a sensação é de que não existem as melhores empresas. Apenas umas que dão menos dor de cabeça que outras. Claro, NET, Oi, SKY, TIM, Vivo... Qual escolher? Em qual confiar?
 

Neste ano, a Anatel promete ficar mais atenta às teles. Deve iniciar processos de fiscalização relativos às falhas de informação na oferta e contratação de serviços e nas alterações de planos e pacotes, à indisponibilidade das informações obrigatórias no espaço reservado ao consumidor nos sites das prestadoras e às dificuldades em cancelamento. Tudo isso pela necessidade de mais respeito ao consumidor.

 

Raone Saraiva
raonesaraiva@opovo.com.br
Editor do O POVO
  

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