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A febre amarela e controle de doenças infecciosas

01:30 | 03/02/2018

O cenário epidemiológico da febre amarela, atualmente no Brasil, permite a reflexão e discussão de aspectos importantes relacionados às doenças infecciosas e à saúde pública.


Uma velha doença? Sua história, ao se rever o interessante acervo fotográfico da Fundação Oswaldo Cruz, com o registro das grandes expedições realizadas por pesquisadores no início do século passado, remete ao questionamento sobre seu controle nos dias atuais. Os casos de óbitos pela doença, exalta a importância da necessidade de que a febre amarela seja tratada como prioridade permanentemente e não somente em situações de emergência. 

 

Aqui, o destaque para que esse conceito seja estendido às demais doenças infecciosas. É indiscutível a importância das doenças emergentes, porém as velhas doenças não podem cair no esquecimento como as consideradas negligenciadas, por exemplo, doença de chagas e esquistossomose.
 

Na perspectiva de controle, seja para novas ou velhas doenças, a ação mais importante é a vigilância. A febre amarela demonstra claramente o papel da vigilância sentinela de epizootias de macacos, ao permitir detectar precocemente a circulação viral no ciclo natural, adotar ações de controle de forma imediata, evitar a transmissão para a população humana e impedir o risco de reurbanização da doença. Uma velha doença e uma velha ação de prevenção. Infelizmente não valorizadas. É necessário vigiar sempre, para se preparar e agir. E que se aplica as demais doenças infecciosas.
 

Outro importante aspecto é a interação entre saúde e ambiente. Cada vez mais se reconhece que os fatores ecológicos influenciam a transmissão de doença infecciosa. O equilíbrio ambiental é fundamental na sua abordagem.
 

A vacinação é mais importante medida de prevenção e controle da febre amarela. É notório que o planejamento de estratégias, possam permitir cobertura vacinal adequada. Nesse contexto, juntamente com a vigilância, revela-se o fundamental papel da Atenção Primária, envolvendo os Agentes Comunitários de Saúde e o Programa de Saúde da Família. Essa organização, seja talvez a que mais precisa de atenção por parte das autoridades de saúde. Pensemos!

 

Dionne Rolim
dionne.rolim@uece.br
Médica infectologista e professora da Uece e Unifor
 

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