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A enrascada

01:30 | 26/02/2018


A dívida pública cresceu tanto que está levando a União, os estados federados e os municípios à insolvência. Gastamos mais do que as receitas públicas permitem. As elevadas despesas dos últimos anos, durante os quais chegamos ao descontrole da dívida, não supriram, porém, as necessidades dos serviços públicos, porque gastamos muito, porém pessimamente. Temos necessidade de fazer frente a despesas crescentes nos setores de segurança pública, saúde, pesquisa nas áreas de ciência e tecnologia, assistência social e outras prioridades inadiáveis. Uma grande parcela dos orçamentos públicos está comprometida com o item pessoal. Ainda assim precisamos de mais servidores em inúmeros setores.
 

A enrascada está no fato de precisarmos gastar mais e ao mesmo tempo precisarmos cortar despesas. Seria possível aumentar a arrecadação, a despeito da já elevada carga tributária? Teríamos algum efeito recessivo, depois de uma sofrida crise da qual ainda nem saímos plenamente. 

 

Poderíamos continuar na rota do endividamento crescente e acelerado, por um prazo necessariamente longo? Certamente teríamos de pagar pesados juros que agravariam o círculo vicioso do endividamento, limitando gravemente a nossa capacidade de investimento.
 

Cortar despesas quando a fome por verbas é aguda, além produzir efeitos danosos nos campos econômico e social, é uma tarefa dificílima do ponto de vista político. Temos um teto constitucional para os gastos. Não temos perspectivas de um súbito aumento da arrecadação. Temos uma situação calamitosa em grande parte dos serviços públicos. A convergência de todos estes fatores prenuncia uma crise financeira e econômica e uma zona de turbulência política, institucional e social. A condução do País em meio a tamanho desafio se fará no momento em que não temos líderes nem partidos representativos e as instituições estão desmoralizadas.

 

Rui Martinho Rodrigues
rui.martinho@terra.com.br
Historiador

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