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Raone Saraiva: Confiança que faz bem para o Brasil

01:30 | 22/01/2018

 
Após passar o período da crise econômica cauteloso na hora de comprar, com medo do endividamento e do desemprego, o consumidor brasileiro volta a movimentar o comércio. Desde o segundo semestre do ano passado, é possível notar maior presença de pessoas em shopping centers, lojas de rua, bares e restaurantes. Estamos observando a economia com outros olhos e sentindo a volta do crescimento do Brasil no nosso dia a dia. Retornamos às compras.


Prova disso foi o desempenho do comércio no Natal. Após três anos consecutivos de retração, o setor cresceu 5,6%, diz o Serasa Experian.

O resultado, o melhor para o período desde 2010, é reflexo de fatores como: recuperação da renda real dos trabalhadores, queda do desemprego, da inflação, dos juros e retomada do crédito.


O consumidor está mais confiante. E essa confiança é benéfica para o País. Os empresários do comércio, por exemplo, já apresentam outro semblante. Murmuram menos e estão animados para voltar a investir e contratar, contribuindo com a reinserção de trabalhadores no mercado.


A taxa de desemprego no Brasil ainda está elevada, em torno de 12%, atingindo 12,6 milhões de pessoas. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a economia brasileira poderá ter crescido mais de 1% em 2017.

Para este ano, a projeção do Banco Central é que o nosso Produto Interno Bruto (PIB) avance 3,95%.


Esses números, juntamente com o bom desempenho de outros indicadores, devem funcionar como novas injeções de ânimo no Brasil, aumentando ainda mais a confiança dos consumidores e empresários.

O consumo das famílias, que contribuiu com o crescimento do País ao longo dos últimos 15 anos, exceto no período da crise, pode voltar a ser peça-chave na economia.


Mas o Governo Federal também precisa, urgentemente, encontrar alternativas para que o País não cresça apenas pela via do consumo.

Investir em infraestrutura é essencial, mas difícil diante do desequilíbrio fiscal. Mais do que nunca, o poder público precisa se unir à iniciativa privada e trabalhar para tirar as contas da corda bamba, sob o risco de ficarmos dando sempre um passo para frente e dois para trás. 

 

Raone Saraiva
raonesaraiva@opovo.com.br
Jornalista do O POVO

GABRIELLE ZARANZA

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