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Nilson Diniz : Combate às arboviroses para além do convencional

O trabalho corretivo e colaborativo envolve todos os moradores

01:30 | 16/01/2018

Diante de insetos como formiga, cupim e abelha, armamo-nos até os dentes para tirá-los de cena, ou melhor, de dentro da nossa casa. Frente ao letal Aedes aegypti, da Dengue, da Zika e da Chikungunya, somos pouco cuidadosos.


Para fazer-lhe frente, Cedro investe além do recomendado. Com cerca de 25 mil habitantes e mais de 8.500 imóveis, buscamos desenvolver nos últimos cinco anos novos mecanismos de combate às endemias citadas. Brigadas, Comitê de Saúde, mobilização social, campanhas educativas e integração das secretarias e órgãos públicos são ações implantadas com o apoio do Governo do Estado.


Para conscientizar e acompanhar de perto cada família, equipes de combate às arboviroses, formadas por agentes de endemias, trabalham inclusive aos sábados (48 dias a mais de cuidados no ano) com equipamentos e estrutura de verificação de focos nos imóveis. O Levantamento de Índice Amostral – LIA é realizado a cada sete semanas. Até o final de dezembro/2017, foram sete. O índice de infestação no município, hoje, é de 0,41% (o Ministério da Saúde preconiza aceitável até 1% de imóveis com a presença de larvas).


Localizado o foco pela equipe de endemias, a equipe “Foco no foco”, composta por funcionário da assistência social e pessoa do apoio técnico, sob a chefia de enfermeira, é acionada para o aprofundamento. Como o ciclo do mosquito dura sete dias, as casas “positivas” recebem visitas semanais, até não serem mais encontrados vestígios; a residência só é liberada após três visitas seguidas sem a presença do vetor. O trabalho corretivo e colaborativo envolve todos os moradores. A ação conversa e convence a família a cuidar da própria saúde.


Cedro faz divisa com municípios em que o índice de infestação é preocupante, e aí um agravante: a escassez hídrica. O abastecimento da Cagece em dias alternados obriga moradores a armazenar água, favorecendo a proliferação das larvas. 92% dos focos aqui estão dentro dos baldes e tambores.


Mantivemos contato com a Universidade Federal do Ceará para a validação dos efeitos desse trabalho, tornando um projeto-piloto a ser replicado. 

 

Nilson Diniz

nilsondiniz17@gmail.com

Prefeito de Cedro, vice-presidente da Aprece, médico urologista

 

GABRIELLE ZARANZA

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