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Jesualdo Farias. Agonia no Mediterrâneo

01:30 | 18/01/2018

Jesualdo Farias

jesualdo.farias@gmail.com

Secretário Estadual das Cidades


De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), existem 193 países no mundo. Os dez mais ricos concentram 65,0% da economia mundial. É certo que países desenvolvidos como a Coreia do Sul, Suíça, Dinamarca, Noruega, Austrália, dentre outros, estão entre os 183 países que dividem apenas 35,0% da riqueza mundial. No entanto, são países com PIB per capita bastante elevado. Mesmo em países ricos como nos Estados Unidos, China, Índia e Brasil, existe uma enorme desigualdade social, resultante da concentração de riqueza e da falta de oportunidades para os mais pobres. Esses problemas domésticos, da maioria dos países ricos, não devem ser usados como pretexto para negar ajuda a refugiados que, devido a conflitos diversos, estão empreendendo uma fuga suicida que tem causado tragédias e muita perplexidade em todo o mundo. Países em conflito como o Sudão, Líbia, Síria, Afeganistão, Somália e Guiné Bissau têm contribuído com este quadro de desespero de milhares de famílias. De acordo com a ONU, na história da civilização, nunca foi tão alto o número de pessoas forçadas a deixar suas casas por causa de guerra, da violência ou da perseguição. Já são mais de 65 milhões de pessoas em todo o mundo. Somente na Síria, os conflitos ceifaram mais de 300.000 vidas, incluindo-se aí cerca de 17 mil crianças. Às vítimas dos conflitos, somam-se aquelas durante as operações de fuga. Dados da ONU, indicam que somente na “travessia” do Mediterrâneo, foram contabilizadas mais de 3.000 mortes nos dois últimos anos. Duas imagens, que causaram comoção internacional, muito bem representam esta tragédia humanitária: a do menino sírio Aylan Kurdi de três anos que morreu afogado na Turquia em setembro de 2015 e a do garoto Omran Daqneesh, de 4 anos, ferido após ataque em Aleppo, na Síria, em agosto de 2016. Diante deste quadro negativo, fechar as fronteiras como querem alguns países ricos, pode até proteger os seus territórios da entrada de refugiados, mas, certamente não os protegerão do julgamento da história.

 

GABRIELLE ZARANZA

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