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Ideias. A ilha virou Hub

00:30 | 25/01/2018


O Ceará foi moda nos anos 1990. Naquela década nasceu um conceito que o Governo dizia não gostar, mas plantava: “Ilha da Prosperidade”. Era como se referiam as reportagens sobre aquele pequeno estado na porção nordeste do mapa, tratado em “Bye Bye Brasil como apenas uma chance de achar bauxita ou como um simpático balneário - em grande medida até hoje.


A razão principal para a condição alvissareira vinha do básico. Um ajuste fiscal. Aquele sobre o qual o País fala hoje em 2018 e que, na maré boa, Aécio Neves exibia em Minas Gerais como grande novidade nos anos 2000, embora o Ceará já o tivesse feito ainda no final da década de 1980.
 

Era o primeiro Governo Tasso e não havia nada mais moderno do restabelecer as finanças. Ademais, algumas ideias mais tarde de dimensão nacional, nasceram no Ceará. O Programa Saúde da Família começou com os Agentes de Saúde e a municipalização do ensino fundamental deu origem ao atual Fundeb. Mas há uma lista e tanto. O professor André Haguette, ao escrever sobre os 30 anos da eleição de Tasso Jereissati, em 2016, fizera o inventário aqui no O POVO.
 

Ele citara, dentre outras, a convivência com a seca mediante o Castanhão e o Caminho das Águas, hoje rebatizado de Eixão das Águas; a informatização de toda a administração do Estado; um pesado investimento na Funceme; estradas e obras estruturantes como o Complexo Industrial e Portuário do Pecém; um moderno aeroporto (para época); uma política de turismo; o metrô de Fortaleza (ainda inconcluso); a fruticultura e floricultura; o Projeto São José (com o DNA do então secretário do Planejamento Cláudio Ferreira Lima)...e outras.
 

Três décadas depois, o Ceará é novamente – se não uma ilha – um hub. Aliás, vários. Iminentes ou em gestação. Aéreo, portuário, de saúde, de cabos de fibra óptica, Cultural...em breve lançarão alguns outros. Podem apostar. Não será surpresa uma banda tipo Hub do Forró. Um dia a palavra-chave foi cluster. Já foram os polos. O nome é o que menos importa.
 

Os hubs estão dando um upgrade na marca Ceará. Hoje está mais fácil convencer alguém de fora o quanto vale a pena vir aqui fazer negócio. Sabendo explicar, não faltam argumentos. Faça uma pesquisa rápida noutros estados. Não tem acontecido muita coisa.
 

Pernambuco, por exemplo, depois dos áureos tempos da Era Eduardo Campos e Lula, vive dias um tanto modorrentos ante o passado.
 

E o Governo Camilo? Depois de herdar aquele carnê cheio de contas de Cid Gomes (Acquario e CFO, para mergulhar só em dois) - sem poder nem reclamar - hoje se alimenta desta agenda positiva, ante as respostas fracas ante as gravíssimas mazelas na Segurança e na Saúde.
 

Na economia, ao estilo conciliador, Camilo agregou um gerente para cuidar da lojinha (Maia Jr); capitaliza a decisão privada de Air France-KLM-Gol (com investimento estatal em promoção); trata da parceria Roterdã e Pecém (do qual não se sabe muito); insiste em uma refinaria; mira o imenso potencial do Hub da Saúde (assina dia 30 no Porangabuçu); e se prepara para criar uma solução para a gestão dos ativos e da previdência.
 

Em suma, um conjunto de medidas estruturantes cuja essência é atrair dinheiro novo e privado. Caso vá ao limite de deixar as conexões acontecerem (ser um Governo-hub), tanto melhor. Se não, mais do mesmo.

 

Jocélio Leal
[email protected]
Jornalista do O POVO

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