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Guilherme Sampaio: A grande meta de 2018

01:30 | 16/01/2018

A democracia é uma construção histórica e fruto da genialidade do espírito humano e de lutas seculares contra desigualdades. Tomou forma com as pressões populares por justiça, de um lado e, de outro, das estratégias das classes dominantes para perpetuação das mesmas desigualdades. Instituições como o parlamento, o Judiciário e eleições livres reúnem virtudes como limites desta contradição.


Por aqui, o domínio econômico das elites fixou as regras (oficiais e ocultas) para o jogo da “democracia”. De um lado, o aparelho dessas instituições a serviço dos interesses de uma minoria, desabonou-as por anos. De outro, a pressão popular para acessar espaços de poder, única forma viável para reduzir desigualdades, foi validando o sistema.


Exceções à parte, a crise recente revela tal dinâmica. O sistema criado pelos dominadores chama para o jogo as organizações do movimento popular para, depois, criminalizá-las pela adesão às suas próprias regras. Ou seja, penaliza as lideranças populares pelos delitos que o próprio sistema construiu. O efeito inevitável é a baixa da própria democracia, caminho racional e único para o enfrentar a lógica que mantém o poder nas mãos dos detentores do capital.


Essa percepção histórica deve nos conduzir à luta pela retomada democrática. A cassação de uma presidenta inocente, eleita pelo voto popular, seguida da manutenção de seu sucessor, mesmo diante de provas materiais de seus delitos, compõem um grave obstáculo a esse restauro. A instrumentalização político-midiática de pessoas do Judiciário exerce papel central nessa conjuntura.


Neste contexto, a garantia de eleições livres impõe-se como pedra fundamental da estabilidade democrática. Sem elas, não haverá possibilidade de retomada sustentável de desenvolvimento, emprego e renda. Com isso, impede-se o enfrentamento da desigualdade, nosso problema central.


Por certo, não há eleições livres com o candidato em primeiro lugar das pesquisas sob ameaça de condenação, num processo em que, nas palavras de seus próprios acusadores, sobram convicções, mas falta o principal para condenar: provas! Muito se espera do poder Judiciário agora. Estará ele à altura?.

 

Guilherme Sampaio

guilherme13234@gmail.com

Vereador de Fortaleza

 

GABRIELLE ZARANZA

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