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Germana Belchior. Aleitamento materno e trabalho

01:30 | 18/01/2018

Germana Belchior

germana_belchior@yahoo.com.br

Professora universitária


Não obstante a divulgação da importância da amamentação, muitas crianças não são amamentadas ou o são por um período curto. Um dos fatores que servem de obstáculo é o trabalho materno, que vai depender do perfil profissional da mãe, da quantidade de horas que passa fora de casa, das normas e regulamentação do trabalho e do suporte da família.


Conciliar a atividade profissional com a maternidade é um desafio, sendo importante um repensar acerca das condições de trabalho da lactante nas esferas pública e privada, devendo a jornada ser readequada para permitir o aleitamento materno continuado.


A duração do aleitamento é, conforme orientação da Organização Mundial de Saúde, de dois anos ou mais, sendo exclusivo até os 6 meses de idade. A partir dessa fase, inicia-se a complementação com outros alimentos, o que significa que o leite materno continua sendo a principal fonte de alimento da criança.


Existem evidências científicas comprovando o impacto positivo do aleitamento prolongado na saúde da criança e da lactante, cujos resultados foram apresentados em estudo desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (Guia Prático de Atualização, Departamento Científico de Aleitamento Materno, nº 1, Abril, 2017). Dentre os benefícios do aleitamento, podem ser destacados: redução da mortalidade e morbidade por doença infecciosa, desenvolvimento orofacial, redução de sobrepeso ou obesidade na vida adulta, desenvolvimento cognitivo, saúde materna (redução de câncer de mama e de ovário, além de diabetes tipo 2) e, ainda, a perspectiva econômica. O fator econômico se relaciona com a redução dos custos com tratamentos de doenças em crianças e com o aumento do quociente de inteligência na vida adulta, o que no incremento de renda dos brasileiros.


A amamentação, portanto, não é apenas uma maneira de alimentação. Trata-se de um processo amplo e complexo, de profunda intimidade entre mãe e filho, com repercussão na saúde física, mental, emocional e espiritual de ambos, devendo ser sempre incentivada nos mais diferentes setores da sociedade, inclusive no ambiente de trabalho.

 

GABRIELLE ZARANZA

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