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Editorial. Financiamento para pequenas e médias empresas

01:30 | 30/01/2018

O anúncio de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai intensificar, neste ano, a liberação de linhas de financiamento para pequenas e médias empresas, como forma de estimular seus negócios, reativa a esperança de um segmento essencial para a economia brasileira. A expectativa se estende ao Ceará onde a cultura do empreendedorismo tem raízes bem fincadas e se articula, cada vez mais, em que pese as oscilações cíclicas da economia, sobretudo, nos últimos tempos de crise na atividade econômica. Os últimos dados do Sebrae apontavam nos finais do ano passado que empresas com faturamento de até R$ 3,6 milhões por ano são responsáveis pela renda de 70% dos brasileiros ocupados no setor privado.


A importância desse segmento para a ativação do emprego e da renda só faz reafirmar-se, tanto que os pequenos negócios ainda respondem por mais de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Se pegarmos apenas os cerca de 12,4 milhões de optantes pelo Simples Nacional, representam 27% do PIB. Mais ainda: as micro e pequenas empresas são as principais geradoras de riqueza do comércio no Brasil, já que respondem por 53,4% do PIB desse setor. No que diz respeito unicamente à sua participação na Indústria, as micro e pequenas chegam a 22,5%, quase alcançando as médias empresas (24,5%). Já no setor de Serviços, correspondem a mais de um terço da produção nacional (36,3%.).
 

A viabilização de crédito é essencial para esse segmento, tanto para capital de giro, como para aquisições de bens de capital. É aí que entraria o BNDES Giro, reforçando uma linha de crédito de R$ 20 bilhões já em andamento, desde agosto passado, visando não só o capital de giro, mas a ampliação do uso da tecnologia. Para isso vai ser aproveitada a plataforma tecnológica de comunicação do BNDES Online para fazer o link com as instituições financeiras repassadoras (nas operações indiretas, quem faz o contato com o cliente, analisa o crédito e assume o risco é o banco comercial repassador dos recursos oficiais).
 

As empresas com faturamento até R$ 300 milhões ao ano esperam que as promessas de taxas de juros fixas nas linhas de crédito se concretizem, de fato. No Brasil, como as coisas só funcionam depois do Carnaval, espera-se que essa perspectiva se conclua tão logo seja concluída a catarse momina. Ou, ao menos, que não passe de março.

Uma economia que necessita urgentemente de oxigênio para se manter à tona tem nos pequenos negócios uma rede de suprimento de ar indispensável. Mantê-la desobstruída e reforçá-la é tarefa dos grandes operadores do crédito e de seu principal supridor: o Estado brasileiro.

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