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Editorial. Ceará: a aposta na gestão dos recursos hídricos

01:30 | 23/01/2018

A falta de cumprimento de prazos, pelas instâncias federais, para a conclusão das obras da Transposição do São Francisco deixa magoados os cearenses, que poderiam estar mais confortáveis, no momento em que enfrentam uma das maiores secas de sua história. Mesmo assim, o Ceará vem fazendo a sua parte, gerindo seus recursos hídricos com racionalidade e inteligência, para otimizar suas reservas hídricas e fazê-las render ao máximo. Nesse ínterim, pressiona a União a ultimar o pequeno trecho que falta para permitir o tão esperado fluxo contínuo de água que hidratará suas artérias ressequidas. Garantir o suprimento de Fortaleza, por exemplo, sem abandonar (o que seria injusto) à própria sorte cidades interioranas acopladas ao mesmo sistema alimentador é um desafio colossal. Foram tomadas medidas restritivas para reduzir o consumo. Constatou-se, no entanto, serem mais eficazes e producentes do que aplicar o racionamento puro e simples. Este teria atingido, sobretudo, os pobres (já que moram geralmente nos bairros mais longínquos (isto é, nos extremos da rede de encanamento), justamente onde a água deixa de chegar tão logo se restringe o seu fluxo. Ademais, sem uso, a tubulação se deteriora. O fato é que, com medidas restritivas convencionais, a economia foi de 292 milhões de m³. Com o racionamento, chegaria apenas a 21 milhões de m³ (menos de dez por cento) do que foi poupado.

Mesmo com apenas sete por cento das reservas do Estado foi possível, até aqui, evitar o colapso total do abastecimento. Desde o Plano de Segurança Hídrica apresentado pelo governador Camilo Santana, na Assembleia Legislativa, em 2015, foram perfurados 40% a mais de poços do que a soma produzida pela Cogerh em toda a sua história. Sem falar nas adutoras para levar água a cidades interioranas.  

O compromisso de dar prioridade ao consumo humano – assumido pelo governador – obriga o setor industrial a buscar alternativas de autoabastecimento. Em relação à Fortaleza, cresce a perspectiva de se apostar na dessalinização da água do mar, bem como de aproveitar as barragens de controle de cheias dos rios Cocó e Maranguapinho, utilizando suas águas excedentes para o suprimento das populações circundantes, sem falar no reúso de águas servidas.  

Requerem-se, ademais, cuidados com a preservação ambiental e a qualidade de vida das populações que margeiam esses afluentes. É preciso, por exemplo, revitalizar esses rios com a recuperação das matas ciliares. Outro ponto indispensável é a ampliação da rede de saneamento básico. Sem essa, fica prejudicada a utilização do lençol freático da Capital para o abastecimento de sua população, pois isso não pode ser feito com águas contaminadas.

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