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Artigos. Carnavalizar é preciso

01:30 | 19/01/2018

Adolescente que é, o Carnaval de Fortaleza, vez sim outra também, está na berlinda. Sempre que a folia é atravessada por alguma notícia indesejada, como um caso de violência mais grave ou o precoce fim de algum bloco, o Carnaval como um todo acaba sendo responsabilizado. Ora, o Carnaval é a vítima, não o culpado. Fortaleza nem qualquer outra cidade deixam de ser o que são quando chega fevereiro. Quisera fosse assim. Se há algo de errado, definitivamente, não é a festa.

Em suas muitas idas e vindas, o que chamamos hoje de Carnaval de Fortaleza está longe de ser uma estrutura independente, capaz de andar com as próprias pernas e impor seus quereres. É ainda um processo, fruto de um imenso esforço coletivo, que demanda zelo e proteção. Os contratempos da vida foram empurrando o fortalezense para dentro de casa, privando todos nós de uma experiência pública. Esse novo Carnaval bateu nas nossas portas e nos trouxe novamente para a rua. Disso, não podemos abrir mão.  

Enquanto política pública, o Carnaval de Fortaleza, graças à manutenção do modelo adotado há pouco mais de 10 anos, é uma experiência absolutamente exitosa. Deixamos de ser uma cidade fantasma, um “paraíso” para quem tinha aversão à folia, para (re)encontrar a alegria e o prazer de festejar junto. Hoje, o Carnaval de Fortaleza é muito maior do que o edital da Prefeitura, o que só aumenta a responsabilidade da administração municipal, que lá atrás induziu isso tudo.  

Fortaleza, eu não tenho a menor dúvida, é uma cidade mil vezes melhor de se viver com o Carnaval. Não qualquer Carnaval. O Carnaval do camarote, do lounge, do estacionamento do shopping, não muda a cidade. Pelo contrário. Tudo fica exatamente como não deveria estar. Fortaleza precisa, sim, de um Carnaval público, que habite suas ruas, que promova encontros e confronte seus problemas. Lixo, trânsito, insegurança são dores diárias do viver em Fortaleza e as soluções encontradas para e pelo Carnaval podem e devem avançar pelo resto do ano. O Carnaval pode nos salvar! n 

 

Magela Lima lima.magela@gmail.com Jornalista e professor universitário

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