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Joaquim Cartaxo: "Líquido e sólido"

01:30 | 26/12/2017
Vivemos a transição entre os modelos políticos, econômicos, socioambientais, culturais herdados da revolução industrial dos séculos XIX e XX e as tendências evidentes e latentes do século XXI que causaram e continuarão gerando profundas transformações em todos os aspectos da vida humana.

 

Zygmunt Bauman, pensador polonês, anota essa transição como a suplantação da modernidade sólida pela modernidade líquida, a qual conceituou como “um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”. Dentre suas frases famosas que buscam explicar os tempos atuais, sublinha-se esta: “Vivemos em tempos líquidos. Nada foi feito para durar”.


Transição em que se destaca o ecossistema socioeconômico e cultural da Web, em que a conectividade e as mudanças ocorrem imediatamente.


É exemplar o smartphone, principal centro de conexão individual entre coisas, pessoas e portador dos seguintes meios, dentre outros: Facebook,

YouTube, WhatsApp, Messenger, WeChat, Sina Weibo, Twitter, Baidu Tieba, Skype, Instagram, QZone, Tumbrl, Telegram, Viber, Snapchat, Line e Pinterest.


Por esses meios, as pessoas casam e descasam; vidas são salvas e outras destruídas; se educa e se deseduca; crianças, jovens e adultos se distraem por horas a fio; cidadãs e cidadãos se mobilizam para campanhas políticas, culturais, filantrópicas; se compra e se vende; se leem jornais e livros, se veem filmes. Enfim, as redes sociais dominaram o cotidiano da sociedade.


A modernização digital toma conta do dia a dia das pessoas. Nada aponta recuos, os indícios são de mais prosseguimento e maior rapidez nas transformações tecnológicas, instantaneidade, imprevisibilidade. Isso produz impactos intensos nas organizações (sindicatos, partidos políticos, empresas, órgãos públicos) cujos modelos são originários dos ecossistemas dos séculos XIX e XX. Daí a necessidade de se reinventarem de modo inovador.

 

Joaquim Cartaxo

cartaxojoaquim@bol.com.br

Arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae/CE

 

ADRIANO NOGUEIRA

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