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Editorial. Hub, turismo e cosmopolitismo

O hub aéreo traz consigo as bases de um cosmopolitismo para o qual é preciso se preparar

01:30 | 03/11/2017

Desde que foi anunciado o hub da Air France-KLM/Gol, em Fortaleza, abriram-se expectativas de várias ordens sobre os efeitos multiplicativos desse empreendimento na economia cearense. Um deles é o provável incremento do Turismo. Não fica aí, pois estabelece também uma ponte para investidores nacionais e estrangeiros em busca de oportunidades de ampliação de seus negócios.


O Turismo, especificamente, é um dos ramos de atividade mais expressivos da economia contemporânea, tendo, há muito, deixado de ser um privilégio reservado a poucos. Na verdade, viajar por pura diversão tornou-se componente indescartável de uma civilização que incorporou o lazer e o entretenimento como necessidades humanas básicas a serem supridas para assegurar a saúde mental indispensável a um convívio humano equilibrado. Sobretudo, depois da revolução nas comunicações, que aproximou povos e culturas, abrindo as mentes para o acolhimento do diferente, em termos de costumes e de visões de mundo.


Ao tornar Fortaleza um dos entroncamentos de rotas que se intercruzam nos espaços do planeta, provindas dos mais diversos pontos do País, do Continente e do mundo, o hub aéreo traz consigo as bases de um cosmopolitismo para o qual é preciso se preparar. A sociedade, como um todo, deve melhorar seus padrões de serviço para estar à altura das demandas, seja no acolhimento do visitante diletante, seja na estruturação dos meios requeridos para dar suporte ao atendimento de eventuais investidores.


Muito da improvisação nessa área já vem sendo superada graças à ênfase na profissionalização cada vez mais apurada. Para elevar-se à condição de atividade econômica estratégica, exige-se não só capacitação técnica e gerencial, mas, formuladores com amplitude de visão política, que vejam a realidade não apenas pelo olho empresarial, mas, igualmente, pelos prismas da sensibilidade social e da sustentabilidade, cortando passo à predação da natureza ou à desestruturação de comunidades tradicionais. Pois, justamente, são esses elementos que funcionam como uma espécie de galinha dos ovos de ouro, dando-nos identidade cultural ao oferecer aquele plus que nos distingue dos demais concorrentes.


E pelo que se depreende das linhas esboçadas pelo setor, o turismo familiar, o cultural e o de negócios capitanearão cada vez mais a demanda cearense.


ADRIANO NOGUEIRA

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