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Confronto das ideias

A Câmara Municipal aprovou a ampliação do horário de funcionamento do comércio em Fortaleza, que poderá ficar aberto por até 24 horas no Centro e na orla. A mudança será positiva para o conjunto da Cidade?

01:30 | 03/11/2017
SIM

 

Há pelo menos 15 anos o comércio varejista discute o tema buscando meios para viabilizar o desenvolvimento do empreendedorismo e a LIBERDADE para trabalhar. Fortaleza passará por mudanças positivas e rápidas que a tornará uma das metrópoles mais atrativas e pujantes do Brasil.

 

Nos últimos meses, acompanhamos conquistas como a concessão do aeroporto Pinto Martins; vinda do hub da Air France-KLM/Gol; parceria com o Porto de Roterdã na Holanda; Polo Industrial da Saúde; atração de investimentos na ZPE, dentre outras parcerias.


O comércio comemorou a ampliação do horário de funcionamento, não como obrigação, mas como OPÇÃO para trabalharmos dentro da real demanda de mercado, zelando pela lei trabalhista quanto ao horário de trabalho, proporcionando toda infraestrutura para atendermos e protegermos nossas equipes e nossos clientes. A ampliação é apenas em bairros vocacionados para comércio e turismo, localizados nas Zonas Especiais de Dinamização Urbanística e Socioeconômica (Zedus).


O mercado agora tem a liberdade para abrir, caso tenha adesão da clientela, e estender horários de funcionamento em épocas que justifiquem, como Black Friday e Natal. Caso não compense nem seja conveniente, o horário seguirá normalmente como estamos habituados, dentro do bom senso. Todos só têm a ganhar. O objetivo é gerar novas oportunidades de negócios e de trabalho, com mais pessoas circulando na rua. Até a segurança pública será impactada positivamente com a ocupação dos espaços.


Vivemos numa época difícil, cheia de desafios complexos na economia, na política e nos setores públicos. Com tantas más notícias, essas merecem ser comemoradas. Antes de polemizar, procuremos conhecer, entender e debater as adaptações. Creio eu que todos nós estamos unidos para buscar o melhor para o mercado, porque, com o mundo globalizado, não tem quem segure as grandes mudanças que virão por aí.

 

"O objetivo é gerar novas oportunidades de negócios e de trabalho, com mais pessoas circulando na rua"

 

Jamila Araújo

jamilafaraujo@gmail.com

Presidente da CDL Jovem de Fortaleza e integrante do Conselho de Leitores do O POVO

 

NÃO

 

A aprovação — sob protesto — da nova lei que permite lojas de rua abrirem 24 horas, de segunda a domingo, merece questionamentos. É preciso salientar que só se levou em conta a vontade do empresariado. Os comerciários de Fortaleza (cerca de 150 mil pessoas) também deveriam ter tido seus interesses contemplados numa mudança desta magnitude. Como isso não ocorreu, a lei configura-se num incentivo à precarização das relações de trabalho no setor.

 

Fui assessor do Sindicato dos Comerciários e sou testemunha das  dificuldades enfrentadas por quem trabalha neste ramo. Muitas vezes trabalha-se em condições insalubres ou desconfortáveis. Isso sem falar em vários casos de desrespeito à CLT. A lei que regulamentou o horário de funcionamento do comércio em Fortaleza foi uma conquista histórica da categoria, após quase 30 anos de luta, com amplo debate social e que deveria ter sido levada em conta.


O argumento de geração de empregos é questionável. Na prática, os mesmos trabalhadores serão obrigados a fazer jornadas mais longas, sem compensação financeira adequada ou benefícios de qualquer natureza. Em qualquer lugar do mundo, o aumento de vagas ocorre com a redução da jornada. Outro ponto que não se sustenta é o de um possível incremento das vendas. Em meio à crise, sem dinheiro circulando e poder aquisitivo em baixa, o fato de haver lojas abertas por mais tempo não determina aumento de consumo.


A lei, a princípio, passa uma aparência de modernidade competitiva. Mas, para que isso ocorra, é preciso que todos os lados ganhem: empresário, trabalhador e consumidor. Além do mais, no atual contexto de violência, nem o lojista quer expor seu negócio à insegurança nem o comerciário quer se tornar vítima durante seu deslocamento ou em meio à jornada de trabalho.


Pondo abaixo direitos trabalhistas e dando total liberdade para lojistas abrirem seu comércio como bem entendem, a lei é somente mais um instrumento de exploração de uma categoria pelo mercado. 

 

"Os mesmos trabalhadores serão obrigados a fazer jornadas mais longas, sem compensação financeira adequada"

 

Acrísio Sena

acrisiosenapt@gmail.com

Vereador de Fortaleza

ADRIANO NOGUEIRA

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