VERSÃO IMPRESSA

Laura Rios: A cidade que é só sua

01:30 | 30/10/2017

Todas as nossas ações e atividades que temos promovido na cidade até hoje se trata de um exercício sobre a percepção das pessoas sobre o espaço público. É trabalhado o uso mental e físico, imaginário e espacial de uma experiência urbana. O propósito essencial é fazer as pessoas perceberem que a cidade ideal é a sua percepção sobre ela. Ela não existe só no imaginário, mas na escolha das experiências que você quer ter no lugar onde você convive.


O que nos faz reconhecer um lugar e adjetivá-lo como bonito ou feio, agradável ou confuso, seguro ou violento, lar ou não? Tudo é resultado daquilo que criamos e construímos nos territórios mentais, o espaço mental. O que quero dizer é que, mais importante que espaço físico ( monumentos urbanos, a malha urbana, beleza estética), é a experiência urbana que temos tornado possível, os movimentos, atividades, pensamentos, danças, cantos, sonhos...e então, a partir daí, vêm as nossas ações que naturalmente transformam o lugar, agora no campo físico.


Para cada um deles, a experiência na cidade é diferente. Cada pessoa, inclusive quem enxerga, constrói sua própria cidade, sua própria realidade, e a minha certamente é diferente da de outros.

Mas o que sempre acontece é que as diferentes percepções convergem num ponto crucial, que é a necessidade de viver em paz com o lugar e com os outros.


A iniciativa do parklet, tão difundida por nós, é uma das ferramentas de nossas ações. Ele é um espaço físico pequeno e efêmero que te convida para uma boa experiência urbana. Retirar um carro estacionado da rua e substituí-lo por uma míni-praça pública tem o poder de alterar a crença de que uma rua é feita para carros. O que tentamos é provocar uma mudança mais significativa na percepção das pessoas sobre sua cidade, e não só no espaço físico da rua em si.

 

Laura Rios

laura@creatorearquitetura.com.br

Arquiteta e coidealizadora do projeto Estar Urbano

ADRIANO NOGUEIRA

TAGS