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Dr. Helvécio Neves Feitosa: A importância do Outubro Rosa

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, só perdendo para o câncer de pele não-melanoma

01:30 | 21/10/2017
O movimento conhecido como Outubro Rosa surgiu nos Estados Unidos na década de 1990, com a intenção de estimular o engajamento da população no controle do câncer de mama. Celebrada anualmente, a data objetiva compartilhar informações sobre o câncer de mama, promover a conscientização sobre a doença, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento, o que contribui para a redução da mortalidade.

 

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, só perdendo para o câncer de pele não-melanoma, sendo responsável por cerca de 28% dos casos de câncer entre as mulheres anualmente. Acomete os homens na proporção de 1:100 casos com relação às mulheres. Considerado raro antes dos 35 anos, aumenta progressivamente em incidência, em particular após os 50 anos. Existem tipos diferentes de câncer de mama, que variam em gravidade e na resposta ao tratamento. Há uma estimativa de cerca de 58.000 casos novos/ano no Brasil, com mais de 14 mil mortes anuais e mais de 500.000 mortes no mundo.


A doença em questão não tem causa única, apresentando diversos fatores de risco, tais como: idade, fatores endócrinos, história reprodutiva, fatores comportamentais/ ambientais e fatores genéticos/hereditários. As mulheres com idade acima dos 50 anos apresentam maior propensão à doença. Entre os fatores endócrinos/reprodutivos, a maior exposição aos hormônios femininos, em especial ao estrogênio, aumenta o risco. Neste sentido, tais fatores incluem: primeira menstruação antes dos 12 anos, menopausa tardia (após 55 anos), primeira gravidez após os 30 anos, nuliparidade (ausência de gravidez), uso da contracepção hormonal prolongada (10 anos ou mais) e de terapia de reposição hormonal prolongada (mais de 5 anos). Dentre os fatores comportamentais/ambientais, a ênfase recai sobre a ingestão de bebida alcoólica, sobrepeso e obesidade após a menopausa e exposição à radiação ionizante. Há alguma evidência de que o tabagismo contribua para o aumento do câncer de mama. Os fatores genéticos/hereditários estão relacionados à presença de genes mutantes transmitidos na família (BRCA1, BRCA2, TP53, PTEN e outros). São consideradas de alto risco as mulheres com histórico de câncer de mama em familiares de primeiro grau (mãe, pai, irmã, filha), de câncer de ovário ou de câncer de mama em homem.


O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, o que aumenta as chances do tratamento oportuno e cura. A orientação atual é que as mulheres se familiarizem com suas mamas, pela observação e autopalpação. Diante de qualquer alteração suspeita, buscar o serviço de saúde para investigação diagnóstica. A detecção precoce do câncer de mama é feita principalmente pela mamografia, quando realizada em mulheres sem sinais e sintomas da doença. No Brasil, o Inca e o Ministério da Saúde recomendam que mulheres entre 50 e 69 anos façam uma mamografia a cada dois anos. Orientação diversa têm as entidades médicas (Sociedade Brasileira de Mastologia/Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem/Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), que propõem a realização da mamografia anual entre os 40 e os 74 anos, o que resulta em maior redução da mortalidade. Acima dos 75 anos deve ser reservado para as mulheres com expectativa de vida maior que 7 anos. São benefícios da mamografia: possibilidade de detecção do câncer no início, o que proporciona tratamento menos agressivo e maior chance de cura. Em pacientes de alto risco, iniciar o rastreamento com mamografia a partir dos 30 anos, ou 10 anos antes da idade de aparecimento do câncer em familiares de primeiro grau.


Em virtude dos diversos fatores envolvidos no determinismo, a prevenção do câncer de mama não é totalmente possível, pois vários deles não são modificáveis. Programar gravidez para antes dos 30 anos, amamentar, controlar o peso corporal (evitar obesidade), alimentação saudável e exercícios físicos, bem como evitar o consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo são recomendações básicas.

 

Dr. Helvécio Neves Feitosa

helvecionf@uol.com.br 

Vice-Presidente do Cremec

Professor do Curso de Medicina Unifor

Professor da Faculdade de Medicina/UFC

 

ADRIANO NOGUEIRA

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