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Ana Kristia da Silva: A assistência psicológica é um grande aliado

O enfrentamento do câncer não é fácil, mas, com os recursos adequados, é possível superar cada situação com mais coragem e esperança

01:30 | 21/10/2017
Outubro chegou e, com ele, os lacinhos cor de rosa e a discussão sobre o câncer de mama, doença que ainda hoje ceifa a vida de muitas mulheres. Apesar da ênfase neste mês, a prevenção deve ser uma preocupação constante de todas as mulheres, todo o ano.

 

Mesmo levando em conta os desafios enfrentados pela população para o acesso à saúde, é inegável a maior facilidade atual a consultas e exames. Contudo, ainda é presente a ideia de “não vou ao médico procurar doença, porque quem procura acha”. Algumas pessoas invertem a ordem dos fatores, julgando que adoeceram por investigar seus sintomas e que, na ausência dos mesmos, não é preciso fazer exames periodicamente. Assim, o câncer de mama chega de surpresa para muitas famílias.


Atuando há um ano e meio como psicóloga no Ambulatório de Mastologia da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (UFC/Ebserh), acompanho de perto a transformação de muitas vidas. O sofrimento das pacientes e de seus familiares e amigos inicia muitas vezes antes do diagnóstico, pois a mera possibilidade da doença desperta angústias e ansiedade. Quando ela sabe das chances de cura e conhece mulheres que superaram o câncer de mama, ganham um fator de proteção emocional.


É fundamental também considerar as características psicológicas dela, tais como a forma como reage a problemas, mecanismos de enfrentamento, histórico de saúde mental e suporte social disponível, como elementos que estarão diretamente ligados como a paciente irá lidar com o período de investigação da doença, seu diagnóstico e tratamento.


Além do suporte social, a assistência psicológica tem grande impacto para as pacientes, que encontram no profissional acolhimento e uma escuta qualificada e imparcial para suas questões. Vale ressaltar a importância desse apoio também aos familiares da paciente, que vivenciam suas próprias dores. A dificuldade de conversar sobre o tema com as pessoas próximas gera isolamento e aumenta o sofrimento. O psicólogo estimula essa comunicação entre a paciente e seus familiares, facilitando o compartilhar das emoções, visando reduzir as barreiras entre eles. Quando as experiências são compartilhadas, os desafios são divididos, tornando-se menos pesados para cada sujeito.


O enfrentamento do câncer não é fácil, mas, com os recursos adequados, é possível superar cada situação com mais coragem e esperança. Então, melhor do que adiar a prevenção e investigação de sintomas é buscar um diagnóstico precoce que aumenta exponencialmente as chances de cura.


Ana Kristia da Silva Martins

anakristia88@yahoo.com.br

Psicóloga do Serviço de Mastologia da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC)

ADRIANO NOGUEIRA

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