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Jornal

Luiz Carlos Antero: "O Ceará no horizonte"

02/09/2017 01:30:00
No atual governo, o Ceará 2050 despontou há mais de dois anos enquanto proposta de planejamento estratégico de longo prazo. Hoje, tornou-se atrativo ao se formular uma visão de futuro.

 

Mas emerge numa encruzilhada: ou nasce articulado em seu prumo social ou torna-se alegoria se não alcançar os propósitos da redução sustentada e persistente das desigualdades, restrito a beneficiários reunidos num punhado de famílias e corporações.


Assim, traz consigo uma necessidade: o Ceará requer uma nova oportunidade histórica ao tratar as raízes estruturais atualizadas de suas assimetrias — o berço das mazelas e da violência nossa de cada dia.


É necessário ressignificar o planejamento enquanto construção distributiva da sociedade, focado no desenvolvimento das forças produtivas, nos diversos setores da economia e nas múltiplas faces de sua modernização progressista.


Há 51 anos aqui surgiu o planejamento, que Sydrião Alencar Junior relacionou em sua tese de doutorado ao “coronel modernizador” Virgílio Távora — ao edificar as bases estruturantes do que seria adiante o Complexo Industrial Portuário de Pecém (Cipp), seus projetos de porto, refinaria e siderúrgica.


Desde então, 14 governos se sucederam até o atual, entre políticas descontínuas, harmônicas ou divergentes, e ações aleatoriamente cumulativas.


Ao longo do tempo, esta negação prática da rotina programática afirmou a emergente necessidade de uma visão processual de Estado — com a contribuição do recorrente drama do semiárido, que destaca a gestão da escassez hídrica, entre outras.


Trata-se de aprender com as remotas experiências de intervenção pública, de admitir que a roda não se reinventa a cada nova gestão, que sem conexão histórica a vida se rende a um eterno recomeço ou se resume à patética rotina de enxugar gelo.


Foi a reflexão que se apresentou ao governador Camilo Santana em 2015, ao se descortinar a oportunidade ímpar de tocar adiante uma gestão democrática com participação popular. Hoje, além da destacada posição nacional em equilíbrio financeiro e investimentos públicos, o Ceará pode, com firmeza, amplitude e ousadia, partir na frente e ocupar seu lugar sustentável no horizonte de um mundo melhor.

 

Luiz Carlos Antero

lcantero@uol.com.br

Mestre em Sociologia; analista de Planejamento e Orçamento da Secretaria do Planejamento e Gestão do Estado do Ceará (Seplag)

 

Adriano Nogueira

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