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Jornal

Walter Feitosa: "Novas técnicas para cirurgia de redução de estômago"

08/08/2017 01:30:00
Recentemente, tornou-se conhecimento pela imprensa da realização de um novo método de redução de estômago. Colocando-se como menos invasivo se comparado a uma cirurgia bariátrica, a “gastroplastia endoscópica” é uma redução de estômago sem cortes e feita por endoscopia com sedação. No entanto, até o momento, aqui no Brasil, não há formalização de reconhecimento dessa técnica junto ao Conselho Federal de Medicina (CFM), o qual já se pronunciou contra.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública do planeta. Atualmente, 57% da população brasileira adulta estão com excesso de peso, e 21,3% dessas pessoas são obesas. Em Fortaleza, 56,3% da população estão acima do peso. A Cidade só perde para Rio Branco (60,8%); Porto Velho (57,1%); e Macapá (57%).


Além disso, 72% das mortes no Brasil são ocasionadas por doenças crônicas não transmissíveis, como o câncer, a diabetes, que têm como uma das causas a má alimentação e o consumo de produtos ultraprocessados, ricos em açúcar, sal e gorduras. Com este cenário, é comum muitas pessoas procurarem na internet informações e dietas que prometem o emagrecimento rápido. No entanto, a população deve ter cautela nas novas técnicas apresentadas para cirurgia de redução de estômago.


A gastroplastia endoscópica não consta no rol de procedimentos reconhecidos para a realização do tratamento da obesidade, os quais estão elencados na Resolução do CFM n.2.131/15. Enquanto não for aprovado, qualquer procedimento clínico ou cirúrgico só pode ser realizado no Brasil em caráter experimental, ou seja, observando os parâmetros definidos para protocolos de pesquisa registrados no sistema CEP/Conep.


Antes de tudo, é preciso que o paciente assuma um papel ativo e determinante no seu tratamento e conte com todo o apoio de uma equipe multidisciplinar, pois a obesidade é uma doença complexa e multifatorial, devendo ser tratada com seriedade e compromisso. Nesta doença estão envolvidos mecanismos metabólicos, psicológicos e socioculturais que devem ser abordados por profissionais específicos e experientes em cada área, pois tratamento com resultados clínicos eficazes e duradouros estão relacionados com os tratamentos conjuntos (médico, nutricional e psicológico) e não somente com a perda de peso.

 

Walter Feitosa

jwalterfeitosa@yahoo.com.br

Cirurgião do Aparelho Digestivo e mestre em Ciências da Saúde pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo

 

Adriano Nogueira

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