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Jornal

Editorial: O bom desafio da "Fortaleza Competitiva"

Uma cidade turística como Fortaleza não pode prescindir de um comércio de rua vigoroso

02/08/2017 01:30:00

Em sua fala no ato de lançamento do Anuário do Ceará, na noite da última quinta-feira, o prefeito Roberto Cláudio (PDT) fez um entusiasmado anúncio do projeto que denominou de “Fortaleza Competitiva”. A ideia central: fazer com que a Capital se torne um território ambicionado por investidores de diversos segmentos da economia. Há, de fato, razões para o entusiasmo não só do gestor como também da Cidade.


A primeira medida prática do programa foi exposta na manchete principal do O POVO de ontem. No caso, a decisão de estender às lojas de rua de Fortaleza a mesma possibilidade de horário e dias de funcionamento do comércio que funciona nos shoppings. Ou seja, até as 22 horas e aos domingos. Nesse sentido, projeto de lei será enviado à Câmara Municipal até o fim deste mês.


Trata-se de uma medida correta do ponto de vista econômico e urbano.

Uma cidade turística como Fortaleza não pode prescindir de um comércio de rua vigoroso. É uma medida justa também se considerarmos a saudável competição entre o comércio de rua e os shoppings.


Do ponto de vista dos empregados em um setor vital para a economia da Capital, que gera milhares de postos do trabalho, certamente não será um problema fazer com que as mesmas regras trabalhistas que são adotadas pelos shopping centers também passem a valer para o comércio da rua.


Hoje, a legislação permite que o comércio de rua funcione de segunda a sexta-feira até as 18 horas, aos sábados até as 16 horas e aos domingos e feriados somente quando estiver previsto em acordo coletivo com o sindicato dos trabalhadores. O resultado: ruas comerciais esvaziadas, sombrias e os shoppings como maiores beneficiários.


O impacto urbano chegará também ao sistema de transporte público.

Afinal, horários diferenciados de funcionamento, incluindo a abertura do comércio depois das 8 horas da manhã, trará como consequência menos desconforto na lotação dos ônibus, que se mantêm como o mais importante, mais barato e mais viável modal de transporte da Cidade.


No lançamento do Anuário, o prefeito aproveitou para lançar um desafio pessoal: até dezembro, Fortaleza será uma das cidades mais desburocratizadas do País. Os reflexos desse desafio, se concretizado, na dinâmica da economia nos permite ser otimistas quanto ao futuro da Capital.

Adriano Nogueira

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