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Jornal

Fernando Graziani: "Consumo consciente e educação financeira: Brasil vai mal"

25/07/2017 01:30:00

Práticas ambientais, financeiras e sociais. São esses os três pilares do Indicador de Consumo Consciente (ICC), criado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). A mais recente pesquisa sobre o tema, divulgada no dia 19 deste mês, mostra que apenas 28% dos brasileiros são, de fato, consumidores conscientes.


O número é desanimador. Reflete um país que falha historicamente.

Mas há um alento: 56% dos entrevistados (607 no total, acima dos 18 anos, de todas as classes sociais e moradores das 26 capitais mais o Distrito Federal) estão encaixados na categoria consumidores em fase de transição, ou seja, já conseguem executar atitudes relevantes até então ignoradas, como poupar água e energia, fazer uso da economia compartilhada, não comprar sem necessidade, reaproveitar objetos com mais frequência e fazer doações ao invés de jogar fora. Já os 16% restantes, aqueles que são pouco conscientes, pelo menos por enquanto estão na casa do sem jeito.


Especificamente no pilar financeiro, as mesmas instituições fizeram outra pesquisa em março deste ano e um dado chama atenção: 33% dos consumidores brasileiros compram sem necessidade, motivados por promoções (a maioria, nas classes C, D e E). É um resultado preocupante, revelador de uma sociedade que carece urgentemente de educação financeira.


Por incrível que pareça, há no Brasil uma Estratégia Nacional de Educação Financeira. Ela foi instituída por decreto presidencial em 2010 e tem como um dos objetivos “aumentar a capacidade do cidadão para realizar escolhas conscientes sobre a administração dos seus recursos”.

Trata-se, portanto, de iniciativa corretíssima. Ocorre que, além de ser ainda tímida pelo tamanho da necessidade, leva tempo para que os resultados sejam significativos.


Para se ter uma ideia, o Brasil, em levantamento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico realizado em 2016, aparece em 27º lugar entre 30 países indagados quando o assunto é conhecimento de conceitos financeiros pela população. O resultado se vê na prática: sem planejamento, cerca de 60% das famílias brasileiras estão endividadas.

 

Fernando Graziani

fernandograziani@opovo.com.br

Jornalista do O POVO

Adriano Nogueira

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