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Jornal

Francisco Wildys de Oliveira: "Crescimento ou desenvolvimento populacional?"

08/06/2017 01:30:00
Segundo o relatório da ONU, a população mundial, que em 2010 era de 6,9 bilhões, deverá ser, em 2030, de 8,3 bilhões de habitantes. A questão surpreendente nesta estatística, ampliada para considerar o período de 100 anos, ou seja, entre 1950 e 2050, é a de que a população dos países desenvolvidos deverá se estabilizar, nesse período, em torno de 1 bilhão de viventes. Isso resulta, por outro lado, no fato de que nos países pobres e nos não desenvolvidos, como é o caso do Brasil, a população deve, em 100 anos, multiplicar por oito seus habitantes. Passaremos de algo em torno de 1 bilhão de pessoas, em 1950, para 8 bilhões, em 2050.

 

Malthus, Condorcet, Adam Smith e Godwin já haviam observado os riscos potenciais de um crescimento excessivo das populações.


No século XX pesquisadores como Warren Thompson (1929) e Notestein (1945) identificaram particularidades do crescimento populacionais relacionadas às taxas natalidade e mortalidade, definidas na Teoria da Transição Demográfica (TTD). A TTD compreende o processo de passagem das populações de um regime caracterizado por uma taxa elevada de natalidade e de mortalidade para um regime demográfico marcado por uma baixa taxa de natalidade e mortalidade. Em alguns países europeus, como Portugal, Espanha e Itália, há 50 anos a população cresceu a uma taxa zero e ou pouco abaixo disso.


O Brasil, que em 1950 tinha 50 milhões de habitantes, deve alcançar a marca de 220 milhões em 2040, ou seja, um crescimento de 440%.


Embora o Brasil tenha uma das mais avançadas legislações sobre planejamento familiar da América Latina, o acesso das mulheres a contraceptivos é influenciado por questões religiosas e grupos conservadores. A conclusão está no relatório Barômetro sobre o acesso das mulheres a métodos contraceptivos no Brasil, México, Colômbio, Argentina e Chile. A ausência de políticas públicas eficazes coloca o Brasil em colocação vexatória nas estatísticas. O mais recente levantamento do Datasus aponta que 431 mil bebês filhos de mães adolescentes nasceram no Brasil em 2016, ou seja, 1 a cada cinco crianças. A pergunta que não quer calar: que indivíduos essas mães adolescentes legam ao mundo?

 

Francisco Wildys de Oliveira

fcowildys@uol.com.br

Doutorando em Administração Pública

 

Adriano Nogueira

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