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Jornal

Magela Lima: "Como não amar Marcelo Costa?"

13/05/2017 01:30:00
Não se trata de exagero, não. É pura justiça. Poucas pessoas são tão decisivas para o desenvolvimento do teatro no Ceará quanto ele. Beirando os 70 anos de vida, Marcelo Costa se inicia na arte ainda criança. Natural de Redenção, miúdo, ele brincava de pastoril. Logo que chega em Fortaleza, aos 14 anos, vê seu interesse pela atividade teatral aflorar. Então, aproxima-se do Conjunto Teatral Cearense, do veterano diretor J. Cabral. De tanto assistir aos espetáculos, conseguiu entrar em cena. A persistência de Marcelo Costa diz muito dele.


Diz muito da sua arte.


Pouco tempo depois, já figurava pelo elenco do Conjunto Teatral Verdes Mares, do antigo Colégio Marista Cearense. Com apenas 16 anos, ele ingressa no extinto e pioneiro Curso de Arte Dramática, da Universidade Federal do Ceará. Durante os anos de 1967 e 1968, Marcelo Costa procurou fazer carreira no Rio de Janeiro, chegando a trabalhar com diretores importantes, como João Bethencourt, Paulo Afonso Grisolli e Amir Haddad. Para nossa sorte, ele volta. Aqui, aproxima-se de uma geração mais nova, com quem promove uma verdadeira mudança de rumo.


Ao lado do saudoso José Carlos Matos, Marcelo Costa funda a Cooperativa de Teatro e Artes. Juntos, conduzem o teatro do Ceará para a difícil missão de se compreender efetivamente cearense. Há exatos 45 anos, eles estreavam o “Romance do Pavão Misterioso”, espetáculo que demarca um novo tempo para a cena local, pelo ineditismo de sua proposta. Com Gilmar de Carvalho, que ele ajudou a cruzar o caminho da poesia rumo à dramaturgia, dois anos mais tarde, ele encena o emblemático “Orixás do Ceará”, inaugurando o inesquecível Teatro do Ibeu.


Ator, diretor e dramaturgo, Marcelo Costa, no entanto, não demarca sua contribuição ao articular uma poética. O Ceará deve a Marcelo Costa a emergência de um pensamento organizado sobre o teatro. Bem comparando, ele é o Sílvio Romero do nosso teatro. É quem funda nossa história. Agora no próximo dia 20, às 19 horas, no Teatro do Ibeu Aldeota, Marcelo Costa relança sua obra mais importante: “História do Teatro Cearense”, publicado em 1972. Ali, descobrimos um passado, sem o qual jamais teríamos chegado tão longe. Passados 45 anos, o livro agora avança até o século XXI, fortalecendo pertenças, afetos e memórias de uma arte que só existe no tempo, só existe no passado.


Magela Lima

lima.magela@gmail.com

Jornalista e professor do Centro Universitário 7 de Setembro

Adriano Nogueira

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