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Editorial: "Combate à corrupção é agenda mundial"

Estudo da OCDE divulgado em 2014 já apontava a corrupção como a terceira maior %u201Cindústria%u201D do planeta

31/05/2017 01:30:00
Um informe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em parceria com o Banco Mundial aponta que a corrupção é uma “indústria global” que movimenta em torno de dois trilhões de dólares por ano. Esse montante equivale ao PIB da França e é maior que toda a riqueza que o Brasil produz. Outro estudo da mesma OCDE divulgado em 2014 já apontava a corrupção como a terceira maior “indústria” do planeta, correspondendo a 5% da economia mundial.

 

Muito se discute acerca da corrupção, mas pouco se fala de seus males. Segundo o estudo da OCDE, o dinheiro anual destinado à corrupção é metade de tudo de que o mundo precisa para garantir uma infraestrutura adequada a seus cidadãos até 2030. Infraestrutura significa mais educação, mais saúde, habitações dignas, mais empregos e mais alimentos.


Dono de uma das maiores economias do mundo, o Brasil contribui significativamente para essa conta. Segundo o último “índice de corrupção” divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil é a quarta nação mais corrupta do mundo, atrás apenas do Chade, da Bolívia e da Venezuela, que lidera o ranking.


Sempre que se falar em pobreza e desigualdades, é importante que relacionemos esses graves problemas sociais não somente a falhas estruturais na economia, mas também à cultura da corrupção que, a julgar pelas investigações colocadas em prática no Brasil, assumiu patamares espantosos.


Ao longo do tempo, o mundo vem adotando uma série de medidas que atacam de forma decisiva o funcionamento desta “indústria”. A mais relevante é a cooperação internacional que torna cada vez mais difícil manter escondidas contas em paraísos fiscais e bancos estrangeiros. Outra medida importante é a adoção de leis que facilitam a delação por iniciativa das próprias empresas envolvidas em casos de corrupção.


Centro das atenções mundiais por causa dos casos de corrupção investigados em diversas operações, o Brasil ainda precisa adotar medidas mais firmes. Afinal, a promiscuidade entre o público e o privado, o baixo índice de transparência, o excesso de regulações e a burocracia foram o caldo para a proliferação de corruptos.


Adriano Nogueira

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