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Editorial: "A virtude da livre iniciativa"

É um cidadão conservador das instituições que rejeita a ideia de ser tutelado pelo estado

01:30 | 12/04/2017
É recomendável a leitura de uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo, do PT, junto a moradores da periferia paulistana com renda familiar até cinco salários mínimos. Pode-se afirmar que essa faixa social, com suas variações em cada região do Brasil, foi a principal base eleitoral do PT nas quatro últimas eleições presidenciais. Fato que, para muitos, tornam os resultados da pesquisa surpreendentes. Para outros, apenas confirmou o perfil médio da sociedade brasileira.

 

O que a pesquisa encontrou foi um brasileiro componente da faixa social mais ampla da sociedade brasileira que acredita nos valores da livre iniciativa, da competição, do mérito e dos direitos individuais. Mais: valoriza a ascensão social, se espelha em trajetórias de sucesso pessoal (como as de Lula, Doria e Sílvio Santos) e vê o empresário como um aliado em contraposição a um estado onipresente e intimidador das iniciativas pessoais.

“Para os entrevistados, o principal confronto existente na sociedade não é entre ricos e pobres, entre capital e trabalho, entre corporações e trabalhadores. O grande confronto se dá entre Estado e cidadãos, entre a sociedade e seus governantes. Todos são ‘vítimas’ do Estado que cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou ‘sufocar’ a atividade das empresas”.

Portanto, é um cidadão que rejeita as teses que se relacionam com a ideia de luta de classes e rupturas políticas radicais. Para esse brasileiro, a família é a instituição central de equilíbrio de suas vidas. No fim das contas, trata-se de um cidadão conservador das instituições ao mesmo tempo em que rejeita a ideia de ser tutelado pelo Estado ou por partidos políticos.

Os resultados, em sua grande parte, coincidem com os valores que O POVO costuma defender em seus editoriais. No entanto, são opostos à prática política de nossos governantes tão afeitos a um estado com muitos tentáculos, caro e ineficiente. O recado que pode ser extraído da insuspeita pesquisa feita pela Fundação petista é o seguinte: a maioria vê virtudes na iniciativa privada e vícios nas tentações estatizantes.