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Fernando Graziani: "A violência que nos guia"

01:30 | 04/04/2017
Os dados mais recentes do Anuário de Segurança Pública no Brasil mostram que 58.467 pessoas foram assassinadas no País em 2015. Representa o catastrófico recorde mundial em números absolutos, com uma morte violenta a cada 9 minutos. Estupros denunciados foram mais de 45 mil, enquanto furtos e roubos de veículos passaram dos 500 mil no período; algo em torno de um por minuto. Assim, durante a leitura que você fará deste artigo dois ou três carros já não estarão mais com os proprietários.

 

A extrema violência, responsável pela desestruturação de milhares de famílias como consequência mais grave, é parte do nosso cotidiano a tal ponto que estamos mudando de comportamento em função dela. Pesquisa realizada com 2002 pessoas de um total de 141 municípios, encomendada e divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no fim de março, mostrou que 71% dos brasileiros estão restringindo o uso das cidades e hábitos. O motivo: medo.


Algumas amostras relevantes foram colhidas: 53% dos que responderam evitam sair à noite. Deixar de circular por alguns bairros ou ruas foi a resposta de 51% dos entrevistados. A troca do trajeto entre casa e trabalho ou entre casa e escola atingiu 32% das pessoas, sem contar mudança de residência e de escola dos filhos, realidade para 12% e 10% dos ouvidos, respectivamente.


De acordo com a mesma pesquisa, 40% das famílias tiveram alguma vítima de furto, agressão ou assalto nos últimos 12 meses. Também no período de um ano, 8 em cada 10 brasileiros presenciaram situações de exposição de violência.


Viver com receio atinge diretamente a qualidade de vida da população. O potencial das cidades é subutilizado O desenvolvimento econômico fica travado. O cuidado para não ser mais uma estatística passa a ser prioridade. Gastos com segurança estão na lista de despesas de mais de 70% da população. Até hábitos corriqueiros sofreram mudanças e 27% das pessoas responderam que modificaram a forma de se vestir para tentar evitar a violência. Um círculo vicioso e caótico.

 

Fernando Graziani

graziani@opovo.com.br
Jornalista do O POVO

 

ADRIANO NOGUEIRA

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