VERSÃO IMPRESSA

Mauro Oliveira: O professor babaca e a "Escola pra Valer"

01:30 | 04/03/2017
“Professor, sua piada LGBTfóbica não faz de você mais engraçado. Faz de você apenas mais um babaca graduado”. Um cartaz com esses dizeres foi afixado em uma Escola. Um dos professores manifestou-se publicamente contra o cartaz: “É injusto com nossos professores e de mau gosto. Não se deve combater a intolerância com intolerância”.

 

Segundo esse professor, o cartaz, apesar de oportuno em seu conteúdo, é injusto na sua forma: colocado por um aluno na sala dos professores, o cartaz deixa margem à insinuação de uma prática sem registro naquela Escola; de mau gosto, porque a expressão “babaca graduado” tem a verve da intolerância contra uma suposta intolerância.


As reações foram diversas e nos deixam algumas reflexões:


1: A Escola deve ser intolerante com a intolerância? A resposta é: não! Em geral, a sociedade é intolerante em países subdesenvolvidos. Uma Escola que é reflexo de uma sociedade não consegue modificá-la, não serve a ela... nem para ela.


2: É correto agentes educacionais se envolverem em debates, em especial em redes sociais, com a mesma postura emocional, linguajar e procedimento dos alunos? Novamente a resposta é: não! Quanto ao aluno, são compreensíveis excessos no debate, pois ele está na Escola para encontrar seu próprio caminho, construído entre erros e acertos. Mas, quando agentes educacionais se esquecem de seu papel e, (a)traídos pela adrenalina, se mostram vulneráveis ao populismo, a Escola se confunde com sociedade. Volta-se à reflexão 1.


3: Gênero, maconha, preservativo e outros temas pouco comuns na Escola devem ser tratados nela? Claro que sim! Mas com competência e responsabilidade, métodos didáticos e estratégias pedagógicas. Senão, a Escola estará repetindo as mazelas da sociedade e aí... de novo à reflexão inicial.


No livro Escola pra Valer, defendo que a principal missão da Escola é ajudar o aluno a ser feliz, ajudá-lo em suas próprias escolhas, a construir um caminho que será só seu... o que exige da Escola competência, métodos, estratégias e muita responsabilidade.


Se o engenheiro calcula e o músico toca sua partitura, mister se faz que todo agente educacional faça bem a sua parte, antes que algum aluno, injusta e intolerantemente, o chame de “babaca”... por outras razões.


Mauro Oliveira

amauroboliveira@gmail.com

Professor do IFCE Aracati; secretário de Tecnologia, Ciência e Cidade Inteligente de Aracati

ADRIANO NOGUEIRA

TAGS