VERSÃO IMPRESSA

Editorial: "Guardar sigilo não é papel da imprensa"

Supõe-se que os vazamentos partem de operadores que têm a obrigação primordial de manter o segredo

01:30 | 16/03/2017
Mais uma vez, o que deveria ser sigiloso passa por vazamentos. Como vem se dando desde o início das investigações da Operação Lava Jato, fatos protegidos pelo sigilo judicial se tornam públicos em doses, às vezes, homeopáticas e outras vezes em teor amplo. Supõe-se que os vazamentos partem de operadores que têm a obrigação primordial de manter o segredo.

 

Evidentemente que o trabalho da imprensa não se relaciona com o de guardiã de sigilos. Jornalistas e meios de comunicação não são linhas auxiliares de instituições que

- estas, sim - são obrigadas a manter em segredo investigações criminais com conteúdo protegido por sigilo. Não é à toa que a Constituição prevê o sigilo de fontes jornalísticas, instrumento base do exercício profissional da imprensa.


A responsabilidade pelos vazamentos deve ser cobrada das autoridades envolvidas, servidores públicos, policiais e, não descartemos, de operadores do direito que veem na divulgação de fatos escolhidos e isolados formas de beneficiar investigados ou prejudicar outros. Porém, parece não haver preocupação das autoridades em barrar vazamentos. Tanto que não há inquéritos a respeito.


O fato é que vazar se tornou prática comum. Para o bem das investigações, o melhor é que as instituições envolvidas passem a adotar a quebra do sigilo quando há grande interesse público envolvido. É o caso agora da lista com mais de 300 nomes que o Ministério Público Federal quer que sejam investigados tanto no âmbito do Supremo quanto no de cortes inferiores.


Afinal, a imprensa já vem divulgando dezenas de nomes que seriam componentes da nova lista. Como há sigilo, a Procuradoria Geral e muito menos o Supremo confirmam ou desmentem a veracidade dos fatos já divulgados. Diga-se que, desta vez, o procurador Rodrigo Janot sugeriu ao ministro Edson Fachin (STF) que quebrasse o sigilo dos pedidos de investigação a ele enviados.


Dessa forma, a imprensa poderia fazer seu trabalho de forma completa, ouvindo os potenciais investigados. Estes, por sua vez, já poderiam preparar suas defesas. O efeito seria também positivo para a estabilidade política do País, tão necessária para o prosseguimento de ações fundamentais para retirar o País de sua mais dura crise econômica.


ADRIANO NOGUEIRA

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