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Camila da Silva Silveira: "Dia da Mulher - Conquistas e desafios"

Há apenas 85 anos, por meio de muita resistência, foi assegurado à mulher brasileira o direito de escolher seus representantes pelo voto

01:30 | 04/03/2017
Há 40 anos, em 1977, a Organização das Nações Unidas (ONU) adotava oficialmente o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Data importante, pois nos remete a refletir sobre os princípios de igualdade e equidade entre homens e mulheres em todo o mundo.

 

A determinação de inserir no calendário esta data (8 de março), nos remete ao fim do século XIX e início do século XX, quando operárias, ativistas e sufragistas se levantaram contra a submissão imposta pelo sistema patriarcal, exigindo direitos civis básicos, como o direito ao voto, condições melhores de trabalho e autonomia sobre sua própria vida, sem subserviência à tutela masculina.


Assim como no resto do mundo, os direitos das mulheres no Brasil foram sendo conquistados a duras penas. Há apenas 85 anos, por meio de muita resistência, foi assegurado à mulher brasileira o direito de escolher seus representantes pelo voto. Mesmo com uma série de restrições impostas, fomos conquistando os espaços de poder e decisão política, ainda que o processo tentasse nos tolher a iniciativa.


Consciente das conquistas ainda incipientes, o movimento feminista se consolidou no mundo ocidental, fazendo das décadas de 1960, 70 e 80 um marco na busca pelo direito inalienável de se colocar enquanto sujeito da história, a partir da luta pela emancipação econômica, política social e sexual. Pelo direito de se adonarem dos seus próprios corpos, pela denúncia diuturna da violência física, moral, patrimonial, psicológica e sexual. Toda essa insurgência foi decisiva para a conquista de uma série significativa de direitos que se traduzem pela criação de conselhos, das delegacias especializadas, da rede de atendimento e de legislações várias, como a promulgação da Lei Maria da Penha (11.340/2006), que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher; e principalmente pelo fato de obrigar o Estado Brasileiro a desenvolver políticas públicas voltadas para a problemática de gênero.


Precisamos continuar desde já a batalha contra o retrocesso, que espreita cinicamente em momentos de instabilidade institucional. Como nos disse a filósofa e feminista francesa Simone de Beauvoir:

“Nunca devemos esquecer que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que se manter vigilante durante toda a sua vida.”


Sendo a liberdade a nossa própria substância e a mola propulsora da nossa unidade enquanto feministas, devemos seguir contra a desigualdade que afeta a todas nós, atentas para os desafios que se avizinham, conscientes de que nada pode nos limitar, nada pode nos definir, nada pode nos sujeitar, e que só por meio da luta poderemos ser donas de nossa própria história.


Camila da Silva Silveira

camila.silveira@gabgov.ce.gov.br

Coordenadora Especial de Políticas Públicas para as Mulheres do Governo do Estado do Ceará

 

ADRIANO NOGUEIRA

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