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Editorial: "Falta de medicamentos nos postos de saúde"

Não cessa a reclamação dos que vão aos postos de saúde em busca de medicamentos

01:30 | 17/02/2017
A falta de medicamentos nos postos de saúde de Fortaleza volta a causar incômodo na população que recorre a essas unidades de atendimento básico em saúde. É certo que esse é um problema generalizado, atingindo todos os municípios brasileiros. E tem como causa originária fundamental a política nacional de medicamentos e a consequente escassez dos recursos orçamentários para o setor. Mas nem por isso as autoridades municipais ficam isentas das responsabilidades que lhes cabe em sua esfera de governo.

A Central de Medicamentos da Prefeitura de Fortaleza funciona em um galpão no bairro Guajeru. O estoque seria suficiente para sustentar o abastecimento de Fortaleza durante os meses de fevereiro e março, segundo a Gestão e Atendimento do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), organização social contratada pela Prefeitura para comprar, armazenar e distribuir remédios. Mas o fato é que não cessa a reclamação dos que comparecem aos postos de saúde em busca de medicamentos e saem de mãos vazias. Se o motivo for de deficiência na logística, traduzida na centralização excessiva da distribuição, a descentralização da distribuição resolveria o problema. Mas, além disso, Fortaleza também reflete o conjunto dos problemas que afetam a área de saúde pública, como um todo, no País.


Se o setor já era problemático nos governos federais anteriores, mais voltados para a área social, o que não dizer agora, com a mudança ocorrida a partir do impeachment, quando foi adotada a política de austeridade, com cortes profundos nas despesas públicas?


No caso específico da produção de medicamentos, o Brasil não pode ficar na dependência da indústria farmacêutica privada, pois esta atende a seus próprios interesses de mercado, como é natural, em nosso modelo de sociedade. Por isso, muitas vezes, se recusa a produzir remédios de baixo custo para a rede pública de saúde. A solução estaria no fortalecimento da produção nacional e estatal de medicamentos para que o Estado brasileiro (incluindo estados e municípios) não falte com suas obrigações constitucionais de garantir assistência pública de saúde a seus cidadãos.


ADRIANO NOGUEIRA

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